Viagem


Praia do Forte com Érica. Ficamos na pousada de Ceninha, localizada bem no meio da vila. Muito sol na moleira e a pressão alta, por conta de cigarros e comidinhas salgadas. No sábado, fomos ver Noeme Bastos cantar no “Las Margaritas”. Só na base da água tônica e da comida mexicana. Ainda no sábado, li entrevista do crítico André Seffrin no caderno “Cultural” e fiquei feliz por ser citada. Tudo que se relaciona a poesia me anima ou me destroça. De volta, penso em tocar finalmente as coisas práticas que adiei desde o início das férias. Detonei meu I Ching, relíquia de 1994, e não posso mais fazer consultas. Ainda bem que mantive comigo as moedas chinesas. Um senhor me presenteou com elas. São autênticas.  Eu estava em busca das moedas no brechó de um amigo, que ficava perto do Campo Grande. Esse moço, do nada, prometeu deixar lá de presente três moedas chinesas. Nem levei a sério. Mas, uma semana depois,  meu amigo me deu as moedas oferecidas pelo desconhecido, que guardo há uns 13 anos comigo. Cara, coisas assim acontecem de verdade. Há alguns anos, um anjo me salvou de um assalto. É uma longa história que soa meio inacreditável. E agora, exatamente agora, preciso que ocorra um novo milagre. Mas “quem, se eu gritasse, entre as legiões dos anjos, me ouviria?”

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Os meninos de Lençóis é que sabem negociar informação. Por 2 reais, levam você a qualquer canto. Por 20 reais, colocam um mapa da Chapada na sua mão. De volta da viagem, fui ver Chico Cesar no Parque da Cidade (encontrei Fabiana, Franciel e Berna) e, de tarde, assisti ao filme “Meu Nome Não é Johnny” no Multiplex do Iguatemi com Érica. É, o período foi curto mesmo e nem passei perto do Capão. Sério. Ficamos em Lençóis, numa pousada bacana, mas de acesso complicado. Fomos a Iraquara, ao Pai Inácio e a Boninal. Conheci o rio Pratinha, gelado e belíssimo. Que região! Ficou a vontade de voltar e voltar e voltar. Na noite passada, gente, amarguei uma insônia péssima. O dia amanhecendo e nada de o sono chegar. Quando adormeci, tive um pesadelo terrível. Andava numa rua estranha e escura, de madrugada. De repente, aparecia um cachorro e ele disparava na minha direção. Eu sabia que ele iria me morder, mas ficava parada e apenas usava a bolsa instintivamente como proteção. Em vão. Ele me pegava bem na perna. Acordei e liguei a TV. Estava passando uma maratona da última temporada de “Friends”. Fiquei assistindo até o dia clarear totalmente. Havia postado um mosaico de fotos que fiz com meu celular (a máquina digital pifou), mas achei que as imagens ficaram pequenas e nem dava para ver a beleza. Deletei. Vou postar uma única foto que resume tudo. O aniversário foi bacana e simples, um banho de água de rio para renovar as energias. Não dói fazer 40, mas a gente pensa muito no que pretende fazer dos próximos 20 (sendo otimista, claro). Sinceramente, ainda não sei. 

Meu carro ficou a cara de Valdick Soriano. Tô levando 36 CDs de música brasileira, incluindo Alcione e Nelson Gonçalves. Feliz da vida por não estar ocupada com a lista dos concorrentes ao “Big Brother Brasil 8”. Na bagagem, pretendo levar um único livro, o que ganhei do meu amor no Natal. Pausa até nos estudos pro mestrado. É um manual de roteiro escrito por Flávio de Campos, que coordena as oficinas da Globo. Vocês precisam ler “A Saga dos Cães Perdidos”, de Ciro Marcondes Filho. Muito legal para entender o que ele chama de quarta e última fase do jornalismo, a da tecnologia. E os cães perdidos do título somos nós. “Eu não sou cachorro, não”.

Ontem, inconscientemente seguindo o sábio conselho de Franciel, armei a viagem pra Chapada. E nem vai ser preciso ir de carona, Katherine. Vou rachar o gás com amigos. Viajo no dia 9 e festejo os 40 por lá. Acho que vai ser bacana, e sem drama. Bom, ando preguiçosa para postar por conta das férias, ainda me adaptando a acordar mais tarde. Mas, em compensação, tenho lido bastante e na cama. Hoje vou colocar película nos vidros do carro para encarar o calor da viagem. Tenho pensado muito também. E nem sei no que vai dar tanta reflexão.

O segundo dia do ano, rapazes lavam carros no estacionamento, um caminhão de gás faz um barulho dos infernos. Dormi mal, acordei cedo, vou preparar uma macarronada com molho branco para o meu amor. A menina que trabalha aqui chegou tarde, levou meu cachorro para dar uma volta, parece estar de ressaca. Liguei para a conta e fiquei deprê. A grana das férias desapareceu num gigantesco buraco negro. E quero ir pro Capão de qualquer jeito. Minhã mãe ainda não se acostumou comigo em casa. Não me deixa dois minutos quieta, justo o que mais gosto. Olho a estante repleta de livros que devo ler se quiser ter alguma chance no mestrado. E vejo um filme idiota na TV. Podia escrever um poeminha… Não sei como. Será que perdi o jeito na passagem do ano? As coisa mudam, as coisas mudam. Vou na sala, olho o som. Não tenho MP3. O dia parece longo visto da minha cama. Ligo o notebook, coloco no colo, e vou blogar. Ainda de pijamas. Minha irmã está com a família em Itacimirim. De repente… Acho que hoje vou ao shopping, amanhã coloco película nos vidros do carro e, depois de amanhã, sei lá. Talvez um resto de gripe, vinda de 2007, acabe me prendendo em casa. Ou, vindo do espaço, um meteoro finalmente me faça acordar.

Adoro listas, como a que fez o meu amigo Márcio no Cova Rasa. Mas sou dispersa demais para isso. Num balanço de 2007, diria que foi um ano difícil, embora eu tenha obtido pequenas vitórias materiais e engatado alguns projetos interessantes. No dia 28, saio de férias. Sem muita grana para viajar, mas com a firme determinação de conhecer o Vale do Capão. Olhando para trás, vejo que fiz um esforço no sentido de melhorar a minha vida de um modo geral.  Mas que alguns processos devem atravessar comigo para o próximo ano. Fico feliz ao constatar que mantive o coração aberto para as pessoas. E que cresci por dentro ao reconhecer meus erros, que não foram poucos. Mas o estresse me torturou nos últimos trezentos e tantos dias e sofri por antecipação em numerosas ocasiões. A leveza é a maior conquista de um capricorniano. Batalhei por ela ao longo das noites e dos dias. E a luta continua.