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Não havia outra razão para que ela estivesse ali, esquadrinhando meu rosto em busca de diferenças. Eu, sim, olhava para ela com espanto. Era pequena, morena e estava grávida de um homem que acabara de morrer. Pequena flor, como no conto de Clarice Lispector. E tão perto do meu coração selvagem que tudo em volta se transformou nas profundezas da África Equatorial. Teria por ela a ternura do explorador francês: “porque esmeralda nenhuma é tão rara”. Coração aos pulos, logo me vi ajeitando as almofadas para que pudesse sentar com algum conforto em meu sofá de 1963. Teríamos a primeira conversa. Mas em que dialeto, meu Deus? Ela cruzou as pernas, descruzou os braços, um livro surgiu de dentro deles: “1933 foi um ano ruim”, o último de Fante. Sabia que Arturo Bandini é Dominic Molise? Ela já havia lido “Pergunte ao Pó” e sorriu.