Televisão


Chove na cidade. Vejo tudo da janela. Minha antena sempre sai do ar quando chove e, assim, fico temporariamente orfã da programação ruim da TV a cabo. Assisti a um filme em DVD, “Crepúsculo dos Deuses”. Perfeito. Amo Billy Wilder. Olho minhas opções na estante da sala. Poucas. Há “Um Dia de Cão”, de Sidney Lumet, que poderia rever hoje. E “Cidade dos Sonhos”, de David Lynch, que comprei por inacreditáveis R$ 12,90 no balaio de um supermercado. Aliás, foi no balaio que achei também dois outros filmes que adoro, “Thelma & Louise”, de Ridley Scott, e “Tomates Verdes Fritos”, de Jon Avnet. Todos baratíssimos. Nem vou falar sobre o lixo que tenho visto nesses dias na TV, pesquisa para um novo texto.

“Queridos Amigos” alcançou apenas 23 pontos na estréia. Possivelmente, reflexo da baixa audiência do “BBB 8”. O texto é uma adaptação de “Aos meus Amigos”, romance de Maria Adelaide Amaral, também autora da minissérie.

Nascida no Porto, Portugal, criada no Brasil desde os 12 anos, a escritora, formada em jornalismo, começou a produzir teledramaturgia em 1990. Antes, dedicou-se intensamente ao teatro (“Bodas de Papel”, “De Braços Abertos”, “Chiquinha Gonzaga”, “Electra”, “Mademoiselle Chanel”… )

Em TV, além de algumas novelas, escreveu adaptações de fôlego, como “A Muralha”, “A Casa das Sete Mulheres”, “Os Maias”, “Um Só Coração” e, mais recentemente, “JK”. O livro “Aos Meus Amigos” foi lançado em 1992.

Assisti ao primeiro capítulo. Basicamente, apresentação da história e dos personagens. Tudo gira em torno de Léo (Dan Stulbach), que descobre ter uma doença grave e reúne os amigos de juventude, todos agora beirando os 40.

É a década de 80, como a trilha sonora pontua, e eles são sobreviventes dos anos 70, quando a ideologia dividia o planeta. Texto, elenco e direção (entregue a Denise Saraceni) estão impecáveis e imagino a decepção da equipe ao conferir os números do Ibope.

O “Big Brother” não é coisa nossa. Foi criado por um holandês, o produtor John De Mol. E engana-se quem pensa que o formato é inspirado no livro de George Orwell. O próprio De Mol nega e diz que a idéia surgiu a partir de um projeto científico chamado “Biosfera 2”. A referência a “1984” foi um modo de escapar do duvidoso “A Gaiola Dourada”, primeira sugestão de batismo. O “Biosfera 2” foi criado em 1986 no deserto do Arizona e custou 200 milhões de dólares. Financiamento particular, feito por um empresário do Texas. Além de seres humanos, mais de 3 mil espécies (animais e vegetais) foram confinados numa espécie de redoma de vidro e aço com 12 mil metros quadrados e réplicas de montanhas, lagos e até um oceano artificial, com 4 mil litros de água. Em 1991, oito pessoas inauguraram a experiência e ficaram trancafiadas por dois anos. O projeto fracassou, embora a Universidade de Columbia tenha se interessado por ele em 1996. Não havia câmeras, apenas sensores de temperatura e umidade.