poemas tolos


Marcamos um encontro:
15 para as sete na
esquina dum verso.
Confirmou ao telefone,
na quarta, dia de Iansã,
de vermelho, como se deve,
sem falta, no ponto
onde acontece do verbo
amolecer. Iria, me disse,
de todo modo, mesmo
se a filha adoecesse,
sabendo que não me acharia
nas palavras, no horário,
no papel, acertados que somos,
eternamente ausentes.

Disto, enfim,
a boca perto
do ouvido.
Poderia soar
sim ou não,
dito, não dito.
Disto, sim,
do olvido.

falar algo bem íntimo
mostrar os dedos tudo
para que não diga sim
nada importa agora
amar suave anomalia
o mundo é dos feios
parar ouvir fantasmas
olhar seus seios
tv ligada no máximo
tão perfeitos esses
personagens eram
calar algo bem íntimo
qualquer palavra sã
que diga se sinto
mesmo se é preciso
navegar se basta
espiar barcos partindo
se hoje me perco e peco
por esperar o erro
se amanhã será lindo

Poeminha chato, imperfeito, cutucando o juízo, ainda disforme, sem ponto e vírgula.

joplin

Uma roupa velha
para o dia novo
que se inaugura
trancar no corpo,
invólucro sobre
invólucro, uma
roupa velha,
lição de autocura,
que este dia novo
em nada apura, seja
como o outro
que, estampado,
vai em busca da manhã
perfeita, na qual
Janis nunca perderá
o viço nesta camiseta.

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Beleza, moça,
é algo que some,
nunca se garanta
nesse rosto de louça,
nesse corpo de Barbie
(já ouviu falar em gravidade?)
Beleza, moça,
é barco que parte,
nem tente atracar a sua
num cais de botox,
fica esquisito, fia,
aquele riso de plástico,
aquela face vazia.
Beleza, moça,
só no retrato se eterniza,
guardada em álbum de fotos
ou num semblante de filha.

aonde vou, levo comigo um coração aberto,
mesmo se é sábado ou domingo,
quando até os sentimentos folgam,
deixo os meus de plantão.

Assim, olho aceso e sorriso,
palavra boa na boca,
sempre estarão de serviço.