Família


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Passei o dia escapando da data. E quase consegui. No sábado, a ida para Maracás. Um frio de 13 graus na cidade. Mais de cem pessoas no auditório municipal. Caravanas de Brejões e do KM 100. Zé Inácio e Edmar junto comigo. Os meninos do Concriz, com olhinhos brilhando e um recital aplaudido de pé. Almoço e pizza na Forneto. Lugar simples, comida boa. Na volta, fomos parando, distraídas, para comprar manteiga de garrafa, requeijão, beiju, pimenta… Os caminhões lentos, CDs se sucedendo para espantar o tédio. Quase em Salvador, descobrimos que na casa de Érica as irmãs dela rezaram um terço em homenagem ao pai morto. Um silêncio no carrro. E eu firme na decisão de escapar da data. Aí, já em meu apartamento, visitando os blogs que gosto, leio o poema de Gerana Damulakis no Leitora Crítica. Saudade do meu pai, vontade de ver meu pai sambar, sorrir, comentar política. Silêncio é ouro, me dizia. Ah, pai, é mesmo impossível ser feliz nesse dia.

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Até domingo, dia 3, às 20 horas, com entrada franca (é só pegar senhas na bilheteria), tem a peça de conclusão do curso livre de teatro da Ufba, no Martins Gonçalves, Canela.  A direção é de Paulo Cunha, uma releitura de A Lira dos vinte anos. Ficou bem bacana e vale a pena ver.

Perdi meu penúltimo tio ontem. Ele tinha 84 anos e se chamava Joaquim. No mesmo dia, minha tia Isabel comemorava 81 anos em São Paulo. Ao saber da morte do irmão, ela ficou calada, sem condições de falar. Temi a reação de minha mãe, os olhinhos enverdeados cheios de lágrimas, nem quis ir ao velório no Jardim da Saudade. Revi meus primos e seus filhos, hoje quase adultos, num clima de tristeza resignada. Fiquei imaginando como deve ser doloroso ir perdendo entes queridos. Ainda mais para a minha mãe, caçula, mimada por todos. Antonio Marinho, Arquimedes, Pedro e Alice se foram há alguns anos. Em “De Volta à Caixa de Abelhas”, falo sobre a presença deles em minha infância. Do lado paterno, não sobrou um tio sequer. Morreram Lindinha, Miúda, Begue e Antoninho. Ficou só tia Isabel e quero ir a São Paulo vê-la de perto e levar uma boneca bem grande para a minha prima Madalena. Madalena é uma velhinha com espírito e mente de criança. Após a morte de tia Alice, ela foi levada para São Paulo, onde vive hoje com uma das irmãs. Dizem que nem anda mais, só em cadeira de rodas. Nem sei dizer o quanto gosto de Madalena. Quando olho nos olhos dela, eu enxergo toda a beleza e grandeza desta família, que nasceu no interior da Bahia a partir de um casal de camponeses de origem italiana.

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Tenho andado bem pertinho dela. O médico disse que o coração está fraquinho, fraquinho.  Nem dá para entrar na hidroginástica. Ando mexendo em meu baú de guardados. Na primeira foto, Dona Juju penteia meus cabelos (acho que eu tinha uns 10 anos). Na segunda foto, o réveillon deste ano. Hoje tem festão de formatura de meu cunhado. Amanhã vou para Praia do Forte. Como vou? Vou indo…

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Na foto, a minha sobrinha Mariana. No Réveillon, ela acabou no palco, cantando com a banda. Se eu disser que ela canta divinamente “Me and Bob MgGee”, de Joplin, vocês acreditam? E ainda dedica para mim. A virada de ano foi bacana e simples, com amigos e amores, em Villas do Atlântico. No dia 31, saí do trabalho para pegar uns frios na Perini e reecontrei Beto, que não via há quase duas décadas, a mesma cara de menino. Ele é primo de Guilherme, grande amigo, morto há alguns anos. Saudade. Na primeira sexta do ano, Lima, Gerana e eu fomos para a casa de Luís. Muito papo, risoto de fruto do mar e muitos risos, com sarau de música pop, de Bee Gees a Madonna, improvisado na varanda. O que menos importava era a afinação. E ficamos sem saber quem era, afinal, o cantor grego de que Luís tanto falava. Será que ele lembrou o nome? Trabalhei direto, na semana posterior ao Natal, mas até isso foi legal. Agora, corro para pôr em marcha um projeto prático com atraso. Vejamos se dará certo….

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Billy de Papai Noel: vivo e bem

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