Curiosidade


Finalmente concluí a leitura da biografia de Caio Fernando Abreu. Uma biografia diferente, narrada a partir da perspectiva da jornalista Paula Dip, amiga pessoal do escritor. O livro é longo, mas não cansativo, especialmente para quem gosta do cara. Tenho uma edição de Morangos Mofados de 1984, com capa e desenhos de Alex Vallauri. E outra bem mais nova, de 2005, do mesmo livro. Adoro edições antigas. Não sei de que ano, mas tenho um Onde andará Dulce Veiga? bem velhinho, uma capa meio brega. E um A Teus Pés, edição da Brasiliense, que não vendo nem empresto. Não boto na roda também os autografados. Um Ferreira Gullar. Dois Lygia Fagundes Telles. Um montão de autores baianos. Mas minha maior relíquia é mesmo o livrinho de bolso de um cara que nunca fez sucesso. Max Brod, o cara que não queimou os originais de Kafka. Achei num sebo, comprei em homenagem indireta, guardo como amuleto. Nunca li uma página.

Vanguart (Sinceramente…)
Los Hermanos (Já ouvi o CD Ventura, eu tentei…)
CQC (Não vejo graça…)
Lost (Me cansa terrivelmente)
Gisele Bündchen (Beleza? Ah, tá bom)
Filme em série tipo X-Men, Star Trek… (Ah, sei lá, mil coisas)
Mallu Magalhães (Não desce, não desce, não desce…)
Desperate Housewives (Ai, meus sais)
Salas de chat e Msn (Aquela linguagem, aquela falta de assunto, aqueles “hauahaaa” são o fim)
Carro (Meio de locomoção, monstruosamente poluente)
Celular (O mínimo possível e por obrigação profissional)
Avião (Pés no chão, cabeça nas alturas)
Best sellers tipo O caçador de pipas (Não é só a vida que vem em ondas)
Máquina fotográfica digital (Será que é preciso registrar tudo? Até a ida ao cinema e ao shopping?)
Orkut, Facebook, Twitter, blog (Fazem a gente perder a noção e escrever listas assim, achando que realmente tem alguma importância)

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Não sei quantos anos eu tinha na época. Entrei na Facom aos 21 em 1989. Acho que uns 22, no máximo. Gonçalo Júnior devia ter 23. Fazíamos um jornal-mural chamado “Vacilos da Vocação”. Eu, ele, Mariana Carneiro, Ana Cristina Pereira e Carlos Cabus. Era um jornal feito de noite e que amanhecia na entrada da faculdade, que funcionava no Canela, num prédio vizinho à Escola de Música. Ninguém sabia, no início, quem eram os autores. Bolávamos textos criativos, caricaturas, concursos, um monte de piadas. Mariana está organizando uma festinha para reunir os calouros de jornalismo duas décadas depois. Ando catando fotos como essa entre minhas coisas. É bacana se ver assim bem mais jovem (e magra). Logo eu, que sou como o viajante descrito no I Ching. Tempos depois, já em outra turma, com Linda Bezerra, Éden Nilo e Franklin Carvalho, criamos o “336-2000”, que era o número do “orelhão” que ficava na entrada do prédio da escola. Era um fanzine montado “natoralmente” e xerocado. Da Facom para o Café Teatro. Muito álcool. Andréa Vaz tinha um bugre vermelho e colocava oito pessoas dentro, sei lá como. Eu já havia deixado o teatro, que mal havia começado, e tido a primeira grande desilusão amorosa. Foi um período intenso e louco. Inesquecível. Mas, sinceramente, prefiro viver como vivo hoje.

Me perguntaram a hora exata do alinhamento, que durará 18 minutos. Dei uma pesquisada e achei. Será no sábado, dia 14, às 4h25 (horário de Brasília).

Corrigi o poema e a memória traiçoeira de menina. Saborosa e Jacaré eram marcas de cachaça mesmo, como Ari Coelho cantou desde o início. Maria Guimarães Sampaio me corrigiu (no romance dela, Rosália não diz que Saborosa e Jacaré eram cervejas, só cita as marcas). E Bernardo Guimarães confirmou, recordando até o aroma da Saborosa: “igual a paçoca com coco”. E foi além. Ainda lembrou mais marcas perdidas no tempo: Tatu, Pau nas Coxas e De Cabeça pra Baixo. Leiam a descrição feita por ele do trio elétrico (esse eu via passar na Cidade Baixa): “era montado na forma de uma garrafa de cachaça, com a “orquestra” no meio e zilhões de altofalantes nas beiradas em cima. Uma beleza! Mais anos 70 impossível”. E Maria também descreve lindamente: “O trio elétrico da Jacaré era um jacarezão verdão que abria e fechava a boca. O da Saborosa uma imensa garrafa branca deitada. Tudo com muita luz e a amplificação era daquelas bocas redondas encaixadinhas nos “desenhos-esculturas”. Havia umas varandas laterais onde ia a percussão, caixa, tarol… Não lembro se os sopros iam nessas varandinhas ou em cima com as cordas”.  Deu até saudade da Lavagem do Bonfim daqueles tempos. Não existia essa besteirada chic de Bonfim Light e todo mundo ia de caminhão e carroça para a Cidade Baixa. Os trios chegavam até o pé da colina e as barracas eram de madeira, com banquinhos pintados. Na nossa rua, caminho do cortejo, a festa começava de madrugada e não tinha hora para terminar.

Quando criança, um dos meus grandes medos era pegar fogo. Literalmente. Tudo culpa do sensacionalismo do “Fantástico”, que divulgava casos de combustão humana espontânea. Isso existe, sim, tem até na wikipedia. Sempre fui fissurada por lendas urbanas. Teorias de conspiração e que tais incendiavam a minha imaginação. Agora, uma australiana chamada Blossom Goodchild, que diz conversar com seres extraterrestres, afirma que eles farão uma visita ao nosso planeta no dia 14 de outubro. Será apenas uma aparição, sem papo, uma ação de mídia intergaláctica. Tem até vídeo no Youtube (veja aí em cima). Quando Cássia Candra me contou, reagi na boa. Apenas perguntei: “será que eles são do bem?” Parece que sim, pois o nome da facção é “Federação da Luz”. Eles pretendem ficar por aqui durante três dias e revelam a intenção de assumir o controle da Terra.

Essa eu peguei no blog de Márcia Rodrigues, o delicioso Sarapatel. Adorei “Claudinha Boca Doce”, mais até que “Marcela Chave de Fenda”.

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