Citações


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Veja se lembra dessa música, final dos 60, há quarenta anos: “When the Moon is in the seventh house/ and Jupiter aligns with Mars,/ then peace will guide the planets/ and love will steer the stars”? Ela anuncia a Era de Aquário. Traduzindo-a: “Quando a Lua estiver na sétima casa/ e Júpiter se alinhar com Marte,/ então a paz guiará os planetas/ e o amor varrerá as estrelas.” Pois em 14 de fevereiro de 2009, daqui a três dias, a Lua estará em Libra, a sétima casa, enquanto Júpiter e Marte se alinharão por 18 minutos na décima segunda casa. Outros fatos astronômicos/astrológicos estarão em andamento. Vênus estará na primeira casa, iluminada pelo Sol. Mercúrio alinhado com Plutão. Saturno em oposição a Urano. É sem dúvida o alvorecer da Nova Era. O prenúncio é amor e paz. Por incrível que pareça.

(texto enviado por e-mail por Luís Antonio Cajazeira Ramos).

Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor, sentir. E não me sinto bem. Experimente: Se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei. Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro. “Se eu fosse eu” parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teriamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos, enfim, em pleno, a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos, por vezes, tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

Para fechar o ano, deixo com vocês o texto de Clarice Lispector de que mais gosto. Meu único projeto para 2009 é ser muito mais eu.

Mayrant Gallo

Mayrant Gallo

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Acordei pensando em Vinicius de Moraes e nos poetas que li na infância. Chico Buarque, num documentário sobre o poetinha, disse que ele não se encaixaria no modo como vivemos hoje. Pose e mais pose. Basta passear pelos blogs e ler as referências ao novo filme de Woody Allen. Pose e mais pose. Como Nelson Rodrigues disse, em entrevista a Otto Lara Rezende, o melhor conselho a dar aos jovens é “envelheçam”. Escrevi um poema sobre envelhecimento chamado “Santiago” e enviei para a poeta gaúcha-carioca Helena Ortiz, que tive o prazer de conhecer em Salvador. Ela o publicou em seu jornal literário, o “Panorama da Palavra”. Helena é uma das poetas contemporâneas que mais admiro. O seu livro mais recente, “Sol sobre o dilúvio”, é simplesmente divino. E, como vem chegando o Dia das Mães, e vocês merecem conhecer a poeta, publico aqui um dos poemas dela de que mais gosto: “Dilúvio”. Observem que belo desenho lírico.

As águas cobrem as ruas,
arrastando tudo.

Do outro lado, junto ao muro,
minha mãe. Só os olhos
pedem que a recolha.

Tenho a força de mil cavalos,
e aquela flor
contra a corrente.

Tomo minha mãe nos braços,
ela se encolhe,
aqueço-a em meu colo,
e devolvo-lhe o leite.

As Farc nasceu em 1964, a partir da tentativa de repressão a um grupo de camponeses comunistas do povoado de Marquetália, comandado por Manuel Marulanda Vélez, o Tiro Certo.  Nas selvas colombianas, com cerca de 30 mil soldados, os guerrilheiros ainda resistem. Entraram na lista de terroristas da CIA. São acusados de manter em seu poder 700 reféns, entre eles Ingrid Betancourt. Teriam relações estreitas com Fernandinho Beira-Mar, o traficante brasileiro. Seriam, segundo  matéria da duvidosa Veja, simpatizantes do PT. Yuri Martins Fontes, na revista Reportagem, fala sobre a experiência como correspondente brasileiro nas selvas colombianas. Em seu texto, ele explica o Plano Colômbia, hoje substituído pelo Plano Patriota, operação realizada com recursos americanos “no coração da Amazônia sul-americana”. Os EUA alegam que o apoio ao combate às Farc (helicópteros, armas, dinheiro, treinamento militar e rastreamento por satélite) faz parte das estratégias da guerra ao terror, iniciada com ferocidade após o 11 de Setembro. E, claro, há um detalhe sórdido, sem o qual a história inteira seria quase um conto de fadas. Fumigações venenosas têm deformado camponeses e contaminado as águas dos rios que correm dos Andes para a Amazônia.

Praticamente forçamos o maestro do Licuri, Marcus Gusmão, a escrever mais no seu blog. E o texto que ele postou lá hoje, meus caros, vale por muitos poemas. É tão bonito e confessional que só posso mesmo dividir com vocês. Leiam! 

Ops! Franciel me corrigiu de imediato: o poema-prosa é, como ele diz, ‘literalmente de ontem”.

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