Cinema


Fui ver “Sex and the city” no sábado, após o trabalho. Pela primeira vez, deixei a sala antes do fim da sessão. Não exatamente por causa do filme, embora ele seja bem ruim. Também estava meio chateada e isso conta. Para engolir tanta futilidade sem qualquer enredo é preciso estar feliz. Aí você até acha graça da música doce que entra quando Carrie (Sarah Jessica Parker) dá uma bolsa Louis Vuitton para sua assistente, Louise (Jennifer Hudson), que vivia alugando acessórios. Eu só reparei em como as atrizes estão envelhecidas, especialmente Cynthia Nixon. Alguns closes são impiedosos com rugas e vincos ao redor da boca. Saí do cinema achando que algumas pessoas podem ser tão falsamente elegantes quanto as bolsas Louis Vuitton vendidas no Centro de Convenções por R$ 100. E passamos dos 20 mil acessos, de novembro do ano passado até agora. Sim, eu sei que tem blog que registra isso por dia. Bom para eles.

Achei o trailer de um dos filmes de que mais gosto (perdi a conta de quantas vezes assisti). “Ace in the Hole”, de Billy Wilder, foi exibido no Brasil como “A Montanha dos Sete Abutres”. O que mais curto no Youtube é o que ele guarda em seu baú de quinquilharias.

Foto: Adenor Gondim | Divulgação

Fomos ver a pré-estréia de “O triste fim de Policarpo Quaresma”, adaptação de Lima Barreto, sexta, na Sala do Coro do TCA. A montagem, dirigida por Luiz Marfuz, traz como protagonista o ator Hilton Cobra, o Cobrinha. Um belo espetáculo teatral. Teve coquetel no foyer depois. Choveu e resolvemos ir direto pra casa, ver TV e curtir o friozinho. No sábado, assistimos ao filme de Woody Allen, “O sonho de Cassandra”, no Cineplace Itaigara. Encontramos Josélia Ribeiro, do jornal. Bom filme, bom desempenho de Colin Farrell. Aproveitei para ir ao salão na saída (tem um do lado do cinema) e cortei o cabelo. Esticamos na “Companhia da Pizza”, mas, sinceramente, chopp da Sol, ninguém merece!

No domingo, fomos conhecer o “Conselheiro”, misto de bar e restaurante recém-inaugurado no Itaigara. O chopp era da Schin e estava quente. A macaxeira frita, praticamente crua. Mas o prato livrou a cara do lugar: carne do sol acebolada com angu e paçoca. Experimentamos a cerveja Nobel. Nada demais, mas estava gelada. Ficamos conversando sobre os erros e acertos daquele lugar e relembrando nossa aventura no “Caribe” (por incrível que pareça, já tivemos um bar no Rio Vermelho, na rua onde fica a pirâmide do “Tom do Sabor”). Foi um fim de semana bacana, daqueles que fazem qualquer segunda amanhecer legal. E olhe que tenho médico hoje!

Hoje, graças à generosidade do pessoal do caderno “Cultural”, ganhamos livros na redação. Foi o que chamam de “baciada literária”, a distribuição de alguns exemplares novíssimos e que já foram resenhados. Fiquei com “O Matador”, de Patrícia Melo, em uma edição de bolso da Cia. das Letras, e a coletânea “O Outro Lado”, de Ivan Junqueira, com poemas que vão de 1998 a 2006. Levei ainda os romances “Um homem: Klaus Klump”, de Gonçalo M. Tavares, e “De volta à vida”, da sul-africana Nadine Gordimer. Na minha cestinha, veio também “Os alimentos afetivos”, de Boris Cyrulnik, que fala sobre trauma e resiliência (termo que veio da física, a capacidade dos materiais de resistir a choques, e que foi adaptado pela psicologia).

Comecei a ler “O Matador” pela primeira vez há uns 10 anos anos durante um vôo para São Paulo. Gostei e fiquei na expectativa da adaptação para cinema, “O Homem do Ano”, com Murilo Benício. Retomei a leitura hoje e é bem melhor que o longa. Gosto do modo como Patrícia Melo escreve, com os diálogos sem travessões ou aspas, inseridos no texto corrido, movendo a ação. Em seu novo livro, “Jonas, o copromanta”, a autora faz um jogo metalingüistico com o conto “Copromancia”, de Rubem Fonseca, seu padrinho literário.


Vale uma visita ao blog (http://blogdeblindness.blogspot.com/) criado pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus) sobre seu novo filme americano, Blindness, baseado em Ensaio sobre a Cegueira, livro do português José Saramago, com Julianne Moore (de Magnólia) no elenco.  No diário virtual, Meirelles comete posts absolutamente confessionais, mas a parte mais bacana são os inúmeros toques práticos para quem escreve, ou deseja escrever, roteiros. O trailer de Blindness – o primeiro filme de Fernando em Hollywood foi O Jardineiro Fiel – já está no youtube (veja aí em cima).

Não gostei de “Onde Andará Dulce Veiga?”.  Após 180 minutos de um filme sem ritmo e com péssimas atuações, de Carolina Dieckmann e Eriberto Leão, quase segui o caminho da personagem de Caio Fernando Abreu e desapareci. O Cinema do Museu, no Corredor da Vitória, estava lotado de gays de várias gerações. Do nosso lado, um casal de mulheres dava altos amassos. Reencontrei um dos meus amigos mais queridos, Adal, que sentou conosco e amou o longa. No final, conversamos rapidamente sobre nossas discordâncias. Adal agora tem celular, coisa boa para quem sente falta dele. Não vou tecer um comentário mais profundo, e azedo, sobre “Dulce Veiga” em respeito ao romance de Caio Fernando Abreu.

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Jared Leto engordou 28 quilos para viver Mark Chapman no cinema. O filme mostra o crime pela ótica do assassino.

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