Big Brother


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 Ando preocupada com a tensão entre Equador, Venezuela e Colômbia. Mas vou falar mais uma vez sobre o “Big Brother”. Ontem, o odiado psiquiatra enfrentou a multidão sedenta de sangue e saiu sorrindo. Pedro Bial anunciou orgulhosamente o novo recorde: “mais de 60 milhões de votos”. Nenhuma surpresa.

Marcelo, com seus surtos, vem salvando a audiência de um programa repleto de equívocos. Na estréia, o “BBB 8” deu menos de 30 pontos, um fiasco. E estamos falando da movimentação de uma estrutura milionária. Só não me venha com citações de Nelson Rodrigues tentar justificar o “óbvio ululante”.

Para a Globo, barracos são muito mais interessantes. Antes um médico surtado que pessoas absolutamente low profile que não rendem sequer um bom romance. Mas será que Boninho acha, assim como William Bonner, que somos todos um bando de Homer Simpson?

Um brasileiro médio, para os mestres do jornalismo global, equivale a um americano loser e com meio cérebro. Mais apropriado, então, seria comparar o brasileiro médio ao palhaço Krusty. Ah, mas esse, embora fracassado, é mais esperto.

Comprei o pay-per-view do “Big Brother”.  Mas, antes que me crucifiquem, explico as razões. Desde a edição anterior, minha mãe virou fã do reality show. Na torcida por Diego Alemão, perdia noites e noites. Desta vez, segurei o quanto pude. Mas, no sábado, finalmente cedi e morri em R$ 73.  Minha mãe agora torce por Rafinha e não perde um lance. Minha sobrinha de 10 anos também torce. Mais que isso, coleciona fotos do emo no orkut. É engraçado ver como as duas ficam bem juntas, assistindo ao BBB, rindo e conversando sobre o programa. Daí fico achando que o pacote vale mesmo cada centavo. Mas sempre que olho para a tela não está acontecendo nada. Minha mãe entra no quarto e comenta: “Marcos está preocupado”. Marcos é um dos participantes e namora Thatiana, que confessou já ter beijado garotas. “Grande coisa!”, exclama minha sobrinha de 10 anos, esnobando ao mesmo tempo o preconceito e o drama.    

O “Big Brother” não é coisa nossa. Foi criado por um holandês, o produtor John De Mol. E engana-se quem pensa que o formato é inspirado no livro de George Orwell. O próprio De Mol nega e diz que a idéia surgiu a partir de um projeto científico chamado “Biosfera 2”. A referência a “1984” foi um modo de escapar do duvidoso “A Gaiola Dourada”, primeira sugestão de batismo. O “Biosfera 2” foi criado em 1986 no deserto do Arizona e custou 200 milhões de dólares. Financiamento particular, feito por um empresário do Texas. Além de seres humanos, mais de 3 mil espécies (animais e vegetais) foram confinados numa espécie de redoma de vidro e aço com 12 mil metros quadrados e réplicas de montanhas, lagos e até um oceano artificial, com 4 mil litros de água. Em 1991, oito pessoas inauguraram a experiência e ficaram trancafiadas por dois anos. O projeto fracassou, embora a Universidade de Columbia tenha se interessado por ele em 1996. Não havia câmeras, apenas sensores de temperatura e umidade. 

Meu carro ficou a cara de Valdick Soriano. Tô levando 36 CDs de música brasileira, incluindo Alcione e Nelson Gonçalves. Feliz da vida por não estar ocupada com a lista dos concorrentes ao “Big Brother Brasil 8”. Na bagagem, pretendo levar um único livro, o que ganhei do meu amor no Natal. Pausa até nos estudos pro mestrado. É um manual de roteiro escrito por Flávio de Campos, que coordena as oficinas da Globo. Vocês precisam ler “A Saga dos Cães Perdidos”, de Ciro Marcondes Filho. Muito legal para entender o que ele chama de quarta e última fase do jornalismo, a da tecnologia. E os cães perdidos do título somos nós. “Eu não sou cachorro, não”.