setembro 2009


E eis que meu romance avança. E me enreda. Se me perguntarem, direi que sei, direi que um dia saberei. Por enquanto é só ensaio, processo de engatinhar no chão gelado. Quando fico nos dois pés ainda não é firme. Mas insisto mesmo, por afrontamento do desejo, como dizia Ana C, insisto na maldade de escrever.

As pessoas iam sumindo lentamente. E reapareciam, de repente, com branco nos cabelos. Menos ele, que usava um produto importado. Parecia ter a mesma idade de quando fomos buscar o exame. Será que sim, será que não? Fazia suas coisas às escondidas. Me diga, mano, que é isso?, perguntava distraída, como se não quisesse explicação. Ele sorria sem dizer. Soube depois da armadilha. Estava são, graças a Deus. Forte feito o mesmo de hoje em dia. Nunca tente incutir pressa em quem passou dos 40, por mais que force a cabeça, não entra. Essa coisa paranóica de celulares cheios de ferramentas, por exemplo. E gente ligando a toda hora para saber coisas que poderiam esperar o tempo certo. A fofoca é a alma do negócio de fazer amigos e influenciar pessoas. A fofoca move a febre por sites de relacionamento. Onde andará fulano, que não vejo há milênios? Tá lá no orkut, inteiro, só falta o endereço. Fotos dos filhos pequenos, da sogra de óculos com esparadrapo, da mulher com quem casou. Acho até que conheço. O menino, veja só, parece com ele, já a menina puxou mais à mãe. A sogra tem cara de sofrimento. Estão comendo, sei lá em que restaurante. E aquele irmão do tal, que só andava bêbado. Tá nos amigos do amigo, vítima de uma comunidade de nome engraçado. Ainda solteiro. Ninguém some mais, antes viram fotografias coloridas em perfis estáticos, que são quase uns epitáfios de vivos.

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copacabana

Nossa Senhora de Copacabana,
dai-nos o Sol todos os dias,
mesmo no Inverno. Dai-nos
o seu calor sem termo,
Nossa Senhora de Copacabana.

Dai-nos um céu de brigadeiro
a cada semana. Dai-nos um céu
de brigadeiro, nossa senhora
de Copacabana.

Dai-nos alvoradas sem medo.
Dai-nos manhãs de poesia.
Dai-nos entardecer sem tédio.
Dai-nos o pôr-de-sol mais belo.
Dai-nos e nós a aplaudiremos.

Meio lentinha, só agora descobri Maria Gadú, 22. Ouvi as músicas do primeiro disco e fui ver a menina em vídeo no Youtube. Nesse aqui, ela faz um cover de Killing Me Softly com uma batida bem bacana. Será que a Som Livre vai segurar esse visual garotinho de Gadú ou vai enquadrar a garota?

_Cartaz Novas Letras final

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