O coração na chuva

chuvas

Você apenas finge que sente.
Mas que tarde cinza
é essa que traz nos olhos?
Perita em perguntas-disfarce,
deixo a outra entretida
em desarmar armadilhas,
organizar as cores do cubo
mágico, montar o móbile.
Ah, sou poeta, sabe?
Por isso é que sei criar
esses efeitos sentimentais
a partir do ridículo. Não diz
nada, apenas finge que sente,
que esqueceu de escrever
a carta de despedida,
perdeu as chaves e chove.
Ah, eu sei que não chove.
Agora deixa que eu finjo.

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6 comentários Adicione o seu

  1. De verdade: “você tá q tá”. Lá, na reunião da nossa turma, contarei a origem da frase, é um senhor elogio.

  2. Janaina Amado disse:

    Que texto lindo! “Fingere”, em latim, é fingir E inventar.

  3. tremderisco disse:

    Amei, seu poema é lindo, aliás são lindos…principalmente o coração chove o título é bonito também.

  4. Celso disse:

    Não vou fingir, gosto muito daqui.

  5. Lidi disse:

    Que poema lindo, Kátia! Uns fingem que sentem, outros fingem que acreditam no sentimento! Nós e as nossas máscaras! Amei!! Um beijo!!

  6. blag disse:

    Beleza de fingimento. E uma possível definição pra poesia: “Por isso é que sei criar /esses efeitos sentimentais / a partir do ridículo.”
    É isso aí.

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