julho 2009


panco_blogOi, gente, dia 1 de setembro, tem Nilson e Maria na Tom do Saber, no Rio Vermelho, lançando seus livros pela P55. Imperdível. Aí, no dia 5 de setembro, na Mídialouca, no mesmo bairro, estarei com o pessoal do coletivo C.O.R.T.E (Sandro Ornellas, Lima Trindade, Gustavo Rios e Wladimir Cazé) e a banda Pastel de Miolos num recital rocker.  Apareçam nos dois eventos. Antes, no dia 8 de agosto, estarei em Maracás, a cidade das flores, a mais de 500 quilômetros de Salvador, participando do “Uma prosa sobre versos”, que é coordenado por Edmar Vieira. Mayrant Gallo, que estava na programação oficial do projeto, não poderá ir nessa data. Se quiserem embarcar conosco, serão bem-vindos.

Nossa Senhora de Copacabana,
dai-nos o Sol todos os dias,
mesmo no Inverno. Dai-nos
o seu calor sem termo,
Nossa Senhora de Copacabana

Dai-nos um céu de brigadeiro
a cada semana, dai-nos um céu
de brigadeiro, Nossa senhora
de Copacabana

Dai-nos alvoradas sem medo
Dai-nos manhãs de poesia
Dai-nos entardecer sem tédio
Dai-nos o pôr-de-sol mais belo
 Sim, e nós a aplaudiremos

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Acima, o santo criado por Renata Belmonte para Maria Sampaio. E deu vontade de agradecer a vocês pela diversão, poesia, prosa e beleza de cada post em seus blogs. Acertou quem definiu isso aqui como uma rede de afetos.

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De bonito, Danúbio já  tinha o nome, dado pelo médico assim que botou a cara no mundo e abriu os olhos. Eram uns olhos muito azuis, e mais azuis ainda em contraste com a pele, muito negra. A mãe aceitou aquele nome sem conversa, por respeito e timidez. Sem pais, sem pai, filho repentino nos braços, os dois nas graças de Deus. Assim foi criado, feito um grande rio sem margens, sem visão de um mar possível. Apanhou de padrastos vários que duravam no máximo dois verões até começar a bater. Ah, Danúbio. Bom menino, tranquilo, louco por um caminho que o levasse à nascente de alguma coisa verdadeiramente boa.

O barraco, os ratos, a comida rala, o dinheiro pouco. Aos 18 foi ser boy de um banco, graças a boa aparência, aquele encanto de ser preto com olhos de branco, as mulheres ficavam loucas. Tímido, o menino sonhava com outros prazeres, a vida mansa do patrão, caixa de banco, chegando em uma moto, calça e camisa engomados, barriga pronunciando a mesa farta, uns trocados a mais no bolso. Nada. Salário mínimo entregue para as despesas. No máximo, as gorjetas de quando ajudava senhoras com as compras no mercado. Jornada dupla e mais colégio. Primário sofrível, segundo grau esperto, com colas e mais colas. Iria para a faculdade em breve, contrariando os prognósticos. Filho de preta, a mãe dizia, tem que aprender uma profissão técnica. Nada, ele pensava. Vou é ser médico. Ser chamado de doutor, cortar o mal nos outros.

Não foi, não deu, bem antes caiu na malha dos amigos. Tessitura consistente que envolvia a todos na rua em que morava, praticamente vala, a casa de Danúbio. Com eles aprendeu a fumar erva, pular muros, catar bagulhos e prensar na boca com cuspe. Engolir, se fosse preciso, para escapar dos homens. Vendendo bagulho comprou um táxi. A mãe feliz: agora achou-se. O táxi rodava dia e noite, levando clientes dos traficantes, e logo ele fez jus ao nome. Virou o europeu, o maioral, deslizando feito a valsa azul, em afluentes de crimes. Bacana, comprou casa de varanda, geladeira duplex com dispenser na porta, fogão de seis bocas e forno micro-ondas. A mãe de vestido bonito, última moda, homens mais jovens na cama, apê em Copa, veraneio em Búzios, passeios de lancha. E Danúbio correndo, inexoravelmente, de terno Ermenegildo Zegna, rumo a um mar de sangue.

Foto: Marcus Gusmão

Foto: Marcus Gusmão

A escritora carioca Ana Paula Maia inventou o trailer de livro para lançar o seu “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”. E Santiago Nazarian já está gravando o dele, de “O prédio, o tédio  e o menino cego”. Mas Nilson Galvão e Maria Sampaio, que lançam seus livros no dia 1º de setembro, estão um passo adiante. Marcus Gusmão acaba de inventar o primeiro hotblog de livros do País, com tudo a que os autores têm direito, incluindo reserva de compra de exemplares, um luxo de originalidade (morram de inveja, paulistas e cariocas). Cliquem na foto e vejam.

Foto: AP

Foto: AP

Deu hoje no G1: Num zoológico chinês, dois filhotes de urso panda rejeitados pela mãe estão sendo amamentados por uma cadela e só sobreviveram graça a ela.

princesa_sapo_mundoanimado

Mãe, não ponha a mesa,
parece que sou visita,
parece que sou princesa.
Ah, é, sim, ela me diz,
naquele jeito terno dela,
para mim, você é princesa.

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