Fiquei triste com a morte de Perry Salles. Poucos sabem, mas trabalhei brevemente com Perry na época em que  ele administrava o Teatro Gamboa em Salvador. Não lembro como nos conhecemos, mas foi uma experiência intensa. Ele me ligava às vezes de madrugada, com ideias para a divulgação da peça que ensaiava. Eu o achava um louco. Batíamos uns papos legais, olhando a paisagem (alucinante de tão bela) do subsolo do Gamboa. A casa parecia um submarino. Até achei que ele havia ficado chateado comigo por ter caído repentinamente fora do projeto (tive uns bons motivos). Mas, antes de ir para o Rio de Janeiro, ele esteve no jornal e, ao me ver, gritou de lá um “Katinha” tão alegre e sincero que me surpreendi. Foi a última vez que o vi pessoalmente.

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