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Mas nem é poesia, é música,
sem cromatismo fake em versos
medidos. Não cabe perguntar
“da sombra daquele beijo”.
Apenas permaneço à escuta.
Há um telefone que toca
tarde da noite, a correspondência
incompleta, fios e ondas sonoras.
Fico em silêncio, consumindo
a sua ausência, consumando
a sua ausência. Vontade de dizer
vem cá, doma essa angústia.
Mas o agora é cinzas, o carnaval se foi.
Fico com velhos leões de circo,
que não rosnam e nem mordem,
antes imploram um pouco de comida.
Já não fugimos para a praia
no meio da semana, energia
raivosa de adolescentes. E nem é,
digo sem mágoa, nem é poesia…

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