Uma loira frágil

Surgiu num papo com minha irmã, Bárbara. Ela disse que a cor dos cabelos a tornava menos forte, uma loira frágil.  Achei o título bom para romance policial. Estou lendo um livro incrível, “E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques”, escrito na década de 40, a quatro mãos, por Jack Kerouac e William Burroughs. É trabalho e prazer misturados, como deve ser. Kerouac sempre  dá coceira de escrever. Fez um estrago danado na minha vida ler “On the road”. Mas batizar qualquer coisa é uma arte. Considero Lima Trindade um dos melhores nisso. Basta lembrar essa pérola devidamente editada:  “Todo sol mais o espírito santo”. E a capa casa lindamente com o título.

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Gosto ainda de “O amor é uma coisa feia”, de Gustavo Rios.  Título e arte de capa amarrados numa proposta só ao bom texto do autor.  Não sei quem fez as duas capas que cito aqui, não temos uma tradição nessa área.

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O poeta Luís Antonio Cajazeira Ramos também cuida muito bem de suas edições. “Mais que sempre”, por exemplo, tem uma capa bem clean, o que só favorece a arte de Vauluizo Bezerra.

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Em poesia, merece registro especial o livro “Entre o alho e o sal”, de Lupeu Lacerda, que pretendo comentar aqui mais longamente. Um belo trabalho gráfico envolve a poesia de Lacerda, de forma absolutamente harmônica, conectado ao texto e ao universo do autor.

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Mas, e a loira frágil? Andei espiando o meu “De volta à caixa de abelhas”, que teve o auxílio luxuoso de Gentil na capa. Acho que mudaria umas coisas nela. Gosto da foto antiga, mas  traduz uma fragilidade… Meu novo livro, ainda sem editora ou previsão de lançamento, tem foto de Maria Guimarães Sampaio na capa. É bem bonita, mais forte.

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Outro dia, conversando com Maria, ela contou sobre as idas e vindas da capa de “Rosália Roseiral”, seu romance, que chegou a sair com duas capas (veja abaixo, a segunda é muitíssimo melhor).

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E, por fim, fiquei encantada com o trabalho gráfico do livro de uma loira bem forte. Falo de Renata Belmonte e do “Vestígios da Senhorita B”, que envolve blog, vídeo e uma publicação lindamente  “envelopada” .

capa livro renata belmonte

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8 comentários Adicione o seu

  1. aeronauta disse:

    Também gostei. Belíssimas edições!

  2. O nosso Cajazeira é mesmo danado de bom para cuidar das edições. Os títulos de Lima e Rios são excelentes. Mais que sempre, pura poesia. Eu também mudaria a capa do seu, assim como Maria fez.

  3. Celso disse:

    Delícia de post. Já comprei muito livro pelo título e pela capa. O título de um post já me é difícil achar, imagina então se eu fosse escrever um livro!
    Mas você tem dúvidas de que ainda vai escrever um livro nessa vida? Eu não tenho.

  4. Kátia, querida,
    Fico feliz em saber que vc gostou da edição do Vestígios. Foi tudo feito com muito amor e pensei bastante em vcs(da rede de blogs), durante o processo de construção do texto. Quanto ao loira forte, pode ter certeza de que foi um dos melhores elogios que recebi. Hoje, tive um desses dias de chuvas nos olhos e este seu post me trouxe uma energia boa.
    Bjs
    Poxa, legal. Mas você é uma loira forte, sim, uma loira solar. Nada de chuva. BJ

  5. maria sampaio disse:

    Kátia, como você diz “Não sei quem fez as duas capas que cito aqui, não temos uma tradição nessa área.” É pena mesmo que não se dê maior atenção às capas de livros e discos. É cada marmota…
    Beijos de Maria
    Acho que se houvesse um “casamento” entre os artistas visuais e os escritores seria bacana para os dois, né não?

  6. Lima Trindade disse:

    Poxa, Kátia, quanta honra. Fico grato com a sua observação, seu imenso carinho. E concordo com você a respeito dos demais… tenho paixão por títulos e capas… Lembro também do “dizer adeus”, do Mayrant Gallo, que tem uma capa linda, bem hitchcockiana.. Beijão
    É, sim, muito boa. Além da capa de “O inédito de Kafka”, que é linda. Pra mim, o melhor título de Mayrant é “Recordações de andar exausto”. Mas de todos os títulos que conheço, o que mais me cativa é “Chove sobre minha infância”, de Miguel Sanches Neto. Se pudesse, roubava dele. Bj

  7. Lima Trindade disse:

    Tracoisa: como o seu blog está bonito!!!
    Vamos ver se consigo deixar quieto assim.

  8. Lidi disse:

    Eu também acho que o título e a capa de um livro chama muito a atenção. Renata, Gustavo e Lima até comentaram sobre isso na Bienal deste ano. A estética é super importante. Dos livros que você colocou no post, apenas tive o prazer de ler o de Gustavo e o de Renata. E eles arrasaram mesmo no quesito beleza. A capa do livro de Renata, como você escreveu “lindamente envelopada”, o título também atraente. E a do livro de Gustavo, sem comentários, muito criativa, ambígua. A gente tem costume de fazer aquele desenho de coração ♥, bonitinho, mas na verdade, o nosso órgão vital não é nada bonito. O título pode nos remeter a esta interpretação e a outra, sugerida pelo tom um tanto cético (em relação ao amor) que transparece nos contos. Gostei também das outras capas que você postou e espero ler todos estes livros! Nossa, escrevi demais. Um beijo, Kátia!

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