Para um dia de chuva

Diria que sim, conheço
o que me parte em dois, 
as faces da chuva,
os olhos da água,
traiçoeiramente.

Diria que sim,
e riria deste dia,
de errar a hora,
por acertar o relógio
pelo fuso de Londres.

Diria que tudo é pó,
poesia de longe,
dessas que se esquece,
livro raro, antigo,
no banco do táxi.

E diria que sim,
que iria com você,
sem saber da volta,
sem amor, revolta,
sem passagem.

Simples como se nota
na ponta do lápis
uma ínfima parte
do branco da folha.

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7 comentários Adicione o seu

  1. maria sampaio disse:

    Aê Kátia! Que bom ler seu poema. Beijo de maria

  2. Para todos os dias: belo belo!!!

  3. Celso disse:

    Uau! Que a chuva te inspire sempre assim!

  4. Ives Röpke disse:

    Muito bom, Kátia. Sua poesia tá cada vez melhor.

  5. blag disse:

    Um belo poema pra um dia de chuva. Muito mesmo.

  6. Lidi disse:

    Adorei o poema!

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