Diria que sim, conheço
o que me parte em dois, 
as faces da chuva,
os olhos da água,
traiçoeiramente.

Diria que sim,
e riria deste dia,
de errar a hora,
por acertar o relógio
pelo fuso de Londres.

Diria que tudo é pó,
poesia de longe,
dessas que se esquece,
livro raro, antigo,
no banco do táxi.

E diria que sim,
que iria com você,
sem saber da volta,
sem amor, revolta,
sem passagem.

Simples como se nota
na ponta do lápis
uma ínfima parte
do branco da folha.

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