Honorável São Francisco, leva ao céu todos os bichos que amei em minha infância. Viste por aí Possante, gato cheio de elegância que brincava de esconder? E a cadela pequenina que, atropelada por um carro, me esperou chegar do trabalho, para em meus braços morrer?  Tive um macaco, coitado, enlouqueceu certa tarde, foi expulso lá de casa e vendido em São Joaquim, não sei para que menino. Já está perto de ti? E Gertrudes, São Francisco, a galinha que criei, até que virasse canja ou almoço de alguém. Se a vires ciscando no inferno, faça um cercado perto, leva pra junto de ti. Será fácil reconhecer um dos meus cães mais amados. É marrom e, na língua, falta quase meio naco. Se o vires por aí, vagando, eu lhe peço, meu doce santo, não o deixe na escuridão ou perdido no purgatório. Chama-o, põe nele um laço, e o carrega contigo, honorável São Francisco, pelo caminho dos astros.

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