Vivemos no clichê
da única certeza,
a frágil esperança
de que o acaso
mande um mote,
mostre a trilha.

Deus é esta fé
em enganar
a Iniludível.
Faz voar, criar
submarinos
e calendários.

Vivemos no clichê
da indesejada
visita, “a mesa
posta, cada coisa
em seu lugar”.

Deus é esta distração
que nos protege
contra os riscos.
Faz inventar teses
e versos, zombar
dos calendários

Vivemos no clichê
das despedidas,
a frágil esperança
de barganhar o tempo
necessário.

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