Toda semana é santa

Vivemos no clichê
da única certeza,
a frágil esperança
de que o acaso
mande um mote,
mostre a trilha.

Deus é esta fé
em enganar
a Iniludível.
Faz voar, criar
submarinos
e calendários.

Vivemos no clichê
da indesejada
visita, “a mesa
posta, cada coisa
em seu lugar”.

Deus é esta distração
que nos protege
contra os riscos.
Faz inventar teses
e versos, zombar
dos calendários

Vivemos no clichê
das despedidas,
a frágil esperança
de barganhar o tempo
necessário.

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4 comentários Adicione o seu

  1. aeronauta disse:

    Lindo. Você tem razão: versos tão lindos assim têm que ser lidos, doados, para que possamos ser confortados nesse mundo.
    Os seus então! São lindos, lindos, lindos…

  2. aeronauta disse:

    Obrigada, Kátia. Adorei o nome da editora!

  3. Fiquei tomada de uma emoção. Preciso ler outra vez.

  4. Ives Röpke disse:

    Nossa, Kátia, que sensacional! Estou profundamente tomado por esse poema. Lindo, lindo, lindo.

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