Perdi meu penúltimo tio ontem. Ele tinha 84 anos e se chamava Joaquim. No mesmo dia, minha tia Isabel comemorava 81 anos em São Paulo. Ao saber da morte do irmão, ela ficou calada, sem condições de falar. Temi a reação de minha mãe, os olhinhos enverdeados cheios de lágrimas, nem quis ir ao velório no Jardim da Saudade. Revi meus primos e seus filhos, hoje quase adultos, num clima de tristeza resignada. Fiquei imaginando como deve ser doloroso ir perdendo entes queridos. Ainda mais para a minha mãe, caçula, mimada por todos. Antonio Marinho, Arquimedes, Pedro e Alice se foram há alguns anos. Em “De Volta à Caixa de Abelhas”, falo sobre a presença deles em minha infância. Do lado paterno, não sobrou um tio sequer. Morreram Lindinha, Miúda, Begue e Antoninho. Ficou só tia Isabel e quero ir a São Paulo vê-la de perto e levar uma boneca bem grande para a minha prima Madalena. Madalena é uma velhinha com espírito e mente de criança. Após a morte de tia Alice, ela foi levada para São Paulo, onde vive hoje com uma das irmãs. Dizem que nem anda mais, só em cadeira de rodas. Nem sei dizer o quanto gosto de Madalena. Quando olho nos olhos dela, eu enxergo toda a beleza e grandeza desta família, que nasceu no interior da Bahia a partir de um casal de camponeses de origem italiana.

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