Uma boneca para Madalena

Perdi meu penúltimo tio ontem. Ele tinha 84 anos e se chamava Joaquim. No mesmo dia, minha tia Isabel comemorava 81 anos em São Paulo. Ao saber da morte do irmão, ela ficou calada, sem condições de falar. Temi a reação de minha mãe, os olhinhos enverdeados cheios de lágrimas, nem quis ir ao velório no Jardim da Saudade. Revi meus primos e seus filhos, hoje quase adultos, num clima de tristeza resignada. Fiquei imaginando como deve ser doloroso ir perdendo entes queridos. Ainda mais para a minha mãe, caçula, mimada por todos. Antonio Marinho, Arquimedes, Pedro e Alice se foram há alguns anos. Em “De Volta à Caixa de Abelhas”, falo sobre a presença deles em minha infância. Do lado paterno, não sobrou um tio sequer. Morreram Lindinha, Miúda, Begue e Antoninho. Ficou só tia Isabel e quero ir a São Paulo vê-la de perto e levar uma boneca bem grande para a minha prima Madalena. Madalena é uma velhinha com espírito e mente de criança. Após a morte de tia Alice, ela foi levada para São Paulo, onde vive hoje com uma das irmãs. Dizem que nem anda mais, só em cadeira de rodas. Nem sei dizer o quanto gosto de Madalena. Quando olho nos olhos dela, eu enxergo toda a beleza e grandeza desta família, que nasceu no interior da Bahia a partir de um casal de camponeses de origem italiana.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Georgio Rios disse:

    Cara Kátia, será um prazer imenso conhecer você pessoalmente,ainda mais que isto vai acontecer numa bienal do livro.Acompanho teu trabalho a algum tempo.Desde qque li uam entrevsita que vc realizou no caderno 2 do A tarde, na ocasião do lançamento do livro HErdando uam biblioteca de Sanches NEto.Desde lá venho na triade,blog, Muito , Jornal.Um abração.E sinto muito pela perda de tão preciosa pessoa.Compartilho esta dor com você nesta hora.Era pra ser num email mais não tenho o teu novo email.Abraços fraternos

  2. maria sampaio disse:

    Kátia, compartilho a saudade mesmo sem conhecer. Nossos tios e tias vieram do mesmo lugar. Também por parte de mãe é gente a partir de um casal analfabeto, Ele e ela agricultores(assim se diziam), italianos. Tenho vivas, maravilhosas, três irmãs de minha mãe – uma mais velha com 92 anos (provavelmente a mais charmosa, bem humorada, inteligente). As outras duas de 85 pra baixo.
    Bacana, né Maria? Lembrar essas pessoas que parecem estar dentro da gente, na pele da gente, naquilo que temos em nossa vida de mais caro. BJ

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