Cotidiano sem poesia não existe. Isso é Rilke. Drummond anima palavras. Quero ir ao zoo em Ondina.  Penso no conto “O Búfalo”, de Clarice. Mas irei sem angústia, coração feito folha de relva de Whitman. De férias de mim, lavo pratos, passo vassoura na casa, levo o cachorro aos passeios diários, faço o check up médico de minha mãe.  Leio também. Nada de poesia ou literatura. Psicanálise. “Os alimentos afetivos” de Boris Cyrulnik. Preparo novo livro, aguardo novo livro. Medito. Trabalho num texto para teatro. Dias livres assim, carregando pedrinhas.  Pela primeira vez na vida, leve, levíssima.

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