fevereiro 2009


melancolia

Na porta da mercearia
de bairro, fumo um cigarro,
o primeiro do dia, após
um acontecimento que
não é de amor ou de poesia.

Na porta da mercearia,
sonhos antigos passam,
acenam, pedem adeus.
Ah, Deus, se vão,
“com o mistério das coisas,
por baixo das pedras e dos seres”.

Três moedas tilintam no bolso
da bermuda xadrez, ouço
uma canção distante.
Peço que tirem os chapéus
em respeito aos meus sonhos
mortos, um momento solene
no café, algo que celebre
esta melancolia ou a dilacere de vez.

(E, como este “fumo leve
que foge entre meus dedos”,
segue o segredo de viver sem culpas
que desconheço)

Na porta da mercearia de bairro,
pouco importam os astros,
e a água da Lua. Na Terra, só
esta secura envolta em bruma.
Na Terra, só este desassossego…

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Há um poema aqui
nesta desmedida.
Sim, há um poema aqui
nesta desmedida.

Sem palavras, zen,
sem saber de sílabas.

Há um poema aqui, sim, nesta desmedida.

Carnaval esquisito. Adal deu sinal de vida após longo período de sumiço (disse que foi ao Capão e que produziu uma peça de teatro). Na quinta, me chamou para ir com ele, num grupo chamado “Os endiabrados”, todos com chifrinho pisca-pisca e tridente, para “Os mascarados”. Preferi ficar quieta no meu canto. Nos outros dias, joguei baralho com amigos em Praias do Flamengo, bebendo vinho, petiscando, ouvindo MPB, deliciosamente na contramão. No sábado, de surpresa, perdemos Vera, mãe de Zé Eduardo. Corremos para a Ribeira. Um susto. Zé parecia forte, firme em sua crença no espiritismo. Sinto que nada será como antes para o meu amigo. Nem pude ir ao enterro por causa do trabalho no domingo. Ainda estava meio mal, mas decidi aceitar o convite de Érica, que me ensinou a nadar e a dirigir (e olhe que nos conhecemos quando eu já estava com 27 anos), e sair pela primeira vez em um bloco na avenida. No dia seguinte, vestimos nossos abadás e fomos para o Eva. Gostinho do que é o Carnaval em 18 quilômetros. Foi lindo entrar no Campo Grande e ver as arquibancadas e os camarotes lotados. Voltamos estropiadas, meu tênis foi para o lixo. A ideia é retomar as caminhadas. Saio de férias na segunda que vem sem planos ou perspectivas. O Madame vai junto.


Texto do blog Amor e Hemácias, do escritor Santiago Nazarian.

“Os novatos têm de se concentrar na leitura, em aprender a elaborar uma escrita de qualidade. Sair por aí exibindo-se e achando que assim vai se afirmar não funciona.” E acrescenta que não considera literatura a produção blogueira. “São diários, como os diários de debutantes que havia antigamente” – Milton Hatoum, na Folha de São Paulo.

Peguei isso dia desses no blog da Ivana: http://doidivana.wordpress.com/

Eu tinha lido a entrevista dele na Folha e não tinha achado nada. Depois li no blog da Ivana (Arruda Leite) e achei que tinha de achar… Ela, que é uma senhora escritora, contesta bem o ataque do Sir Hatoum aos blogueiros, aos debutantes, mas para mim parece que não chegou exatamente ao ponto…

Primeiro, eu fiquei pensando bem no que eu havia escrito no post anterior aqui, e no que eu tinha a ver com o Sir Hatoum…

O Brasil é um país com um mercado literário tão restrito, que só há espaço para os cânones… e todo o resto. Sério, sou um escritor, trabalho diariamente e vivo disso, mas o que tem meu trabalho a ver com o do Sir Milton Hatoum?

Não é questão de soberba nem de humildade. Ao meu ver, é a mesma coisa de querer comparar Los Hermanos com Ivete Sangalo, Paulinho da Viola com Júpiter Maçã. Todos fazem música, mas estão fazendo a mesma coisa? Milton Hatoum querer dar lição para novatos é a mesma coisa de Chico Buarque dizer ao Cansei de Ser Sexy como se faz rock (ou new rave). Não é o caso. Por isso mesmo eu sempre torço nariz para oficinas, para debates e para qualquer tentativa de criar um método único e um conselho essencial para alguém se tornar escritor.

Não se ensina ninguém a batucar no bandeiro ouvindo Debussy.

Longe de mim também querer ensinar algo ao Sir Hatoum. Sei há muito tempo que escritores têm apenas o compromisso de escrever, quando abrem a boca muitas vezes dizem bobagem… como eu. Não precisam ter compromisso com caráter, com os bons modos, com o bom senso. Não acho que a opinião de um escritor conte muito. O que conta, para quem faz ficção, deve ser a imaginação. Não quero que questionem minha criatividade, o resto todo podem questionar…

Voltando ao Sir Hatoum, é um escritor de respeito. E eu não o invejo. Não gosto do que ele escreve. Não acho ruim, mas não me diz nada. Não quero ser como ele. Não vou seguir seu exemplo. Quer saber de um escritor brasileiro, contemporâneo, da idade dele, que para mim é muito mais o SOL DEUS SUPERIOR? Digo: JOÃO GILBERTO NOLL. Ele é meu Milton Hatoum. Mas eu entendo. E acho que Sir Hatoum merece o que conquistou – está no molde de escritores premiáveis do Brasil. E acho uma pena que o cenário literário brasileiro (e os prêmios) só tenha espaço para um desses. Só há espaço para Chico Buarque, não há espaço para Ivete Sangalo, nem Paulinho da Viola, nem Júpiter Maçã. Não me identifico em nada com Chico Buarque. E se você, como eu, acha que o maior letrista da MPB é Antonio Cícero, nunca vai ver um prêmio entre seus ídolos. (Ai de você se for fã de um ídolo obscuro e esquecido como Peter Murphy…)

Mas há algo de charmoso em ter entre seus ídolos os fracassados, diz?

Quem acha essa uma comparação muito idigna – literatura e musica pop – deve achar que a literatura é algo realmente inalcansável, indigno da juventude, de novos ares e novos leitores.

É um mercado muito restrito. Muito pouco profissional. Mas acho que ajudaria se escritores consagrados não abrissem a boca para aumentar preconceitos, para diminuir o público leitor, e para se auto canonizarem, como se tivessem a fórmula única da consagração.

Para mim, o que mais pega na declaração de Sir Hatoum não é nem o ataque aos blogueiros – eu mesmo resisti muito tempo e tinha preconceito com blogs; publiquei em papel bem antes de ter site – mas contra novatos em geral. Me parece que ele restringe a literatura a uma arte dos “amadurecidos”; e que os mais novos devem ler e apenas ler. Eu acho que não deve e nem pode ser assim. A espontaneidade, a paixão, a criatividade são características típicas de jovens autores, que eu acho que estão em falta. E falo isso porque eu mesmo passei dos trinta e já não sou mais tão espontâneo assim.

Eu me arrisco a pensar se, neste milênio, não levei mais jovens a ler um romance do que o Sir Milton Hatoum…

Recentemente procurei e entrevistei jovens autores gays (mais jovens do que eu, ok?). E embora alguns tivessem discursos tolos, imaturos e que eu não concordasse, acho importante que esses seres surjam na literatura. Pessoal, é punk rock! Alguns vão amadurecer e se tornar Siouxsie and the Banshees. Alguns vão só viver a onda do momento. É preciso dar espaço também à chama do instante, nem tudo precisa ser consistente e amadurecido; nem na literatura… Principalmente na literatura!

Livro também pode ser uma coisa divertida, jovem, dinâmica. E para escrever algo assim também é preciso talento. Talvez mais talento do que para se seguir algo já estabelecido…

Você prefere hoje um novo disco do Sting ou do MGMT?

De novo, digo, não é uma questão de comparar. Minha arte está tão longe da de Sir Hatoum quanto da de Daniel Galera, João Paulo Cuenca, Ana Paula Maia, para ficar nos autores da minha idade. Estou seguindo o meu caminho, revolvendo as minhas questões, depurando o meu estilo, e não quero ensinar nem aconselhar ninguém a fazer igual. Só fico incomodado mesmo quando surge um escritor consagrado querendo ensinar como fazer igual a ele. Para mim, ele está tentando me ensinar os passinhos do Tcham.

Sir Hatoum, desça à boquinha da garrafa!

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O jornal americano “New York Post” publicou ontem uma charge que compara o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a um chimpanzé morto a tiros pela polícia. O desenho causou ira entre os jornais americanos e internacionais, que criticaram a obra como racista. A charge, de autoria de Sean Delonas mostra dois policiais perante o corpo de um chimpanzé furado por balas. Um dos policiais diz ao outro, “eles terão de encontrar outra pessoa para escrever o próximo plano econômico”. Em declaração, o editor-chefe do “Post”, Col Allan afirmou: “O cartoon é uma paródia clara de um evento atual, ou seja, a morte a tiros de um chimpanzé violento em Connecticut”. Allan se referia ao chimpanzé de estimação morto nos EUA por um policial após atacar uma mulher. Travis, um macaco de 15 anos e 90 quilos, que estrelou alguns comerciais de televisão, atacou uma mulher que foi visitar a dona dele em Stamford, em Connecticut.

Do Folha Online

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A água em Marte é capaz de se mover, misturar e mudar de coloração, diz o geocientista Nilton Rennó. Essa é uma das evidências encontradas por ele para dizer que a substância existe no planeta em estado líquido, e não só congelada. Com base em fotos tiradas em datas diferentes pela sonda marciana Phoenix, ele diz que as bolsas de água salgada encontradas em uma das pernas da Phoenix deslizaram, escorreram ou se fundiram à medida que os dias ficavam mais quentes. “Isso não ocorreria se fosse gelo”, afirma Rennó. Além disso, foi detectado que essas esferas de água cresceram apenas nos primeiros 44 dias da missão, quando a temperatura estava mais alta – durante esse período, praticamente não houve formação de gelo nos locais próximos à sonda. Depois, conforme Marte apresentava dias mais frios, ocorreu o movimento contrário, com diminuição das bolsas de água e aumento na quantidade de gelo. “Isso não é consistente com a ideia de que o que vimos foram partículas de gelo, porque elas deveriam crescer quando fica mais frio, e há formação de gelo em praticamente todos os lugares”, diz Rennó. Outra evidência apontada no estudo é a mudança de cor apresentada pelas “gotas” que ficam mais escuras no decorrer do tempo, algo que também não acontece com o gelo.

Notícia do Folha on line, foto da AP|Nasa

fevereiro-carnevale1

Fevereiro ferve
me dá febre
Me come feito homem.

Fevereiro arrepia
os bicos dos meus seios
Abocanha meus sonhos.

Fevereiro tem fome
não tem piedade
Me consome.

Fevereiro, me deixa.

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