janeiro 2009


duasmulherescorrendo_picasso

“Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é para brilhar,
que tudo mais vá para o inferno,
este é o meu slogan
e o do Sol”

(Maiakóvski)

A cem quilômetros por hora,
solto a direção do automóvel,
para escrever alguma coisa
mais urgente que minha vida.

Devo portanto utilizar
o vocabulário econômico
do Século: é proibido
amar, fumar, pisar na grama.

Mas gostaria que restasse
algum tempo para dizer
no poema as palavras súbitas
de recompensa e remissão.

Ó meu Deus, eu quero escrever
a minha vida, não teu Céu.
Eu estou só e enlouquecido
como as ovelhas mais longínquas.

Dá pelo menos a esperança
de terminar o doloroso
poema. Dá isso a teu filho,
caído, e coberto de sal.

imagem0111

Fechado pra balanço

(Gilberto Gil)

200140693-001

Tô fechado pra balanço
Meu saldo deve ser bom
Tô fechado pra balanço
Meu saldo deve ser bom
Deve ser bom

Um samba de roda, um coco
Um xaxado bem guardado
E mais algum trocado
Se tiver gingado, eu tô, eu tô
Eu tô de corpo fechado, eu tô, eu tô

Eu tô fechado pra balanço
Meu saldo deve ser bom
Tô fechado pra balanço
Meu saldo deve ser bom
Deve ser bom

Um pouco da minha grana
Gasto em saudade baiana
Ponho sempre por semana
Cinco cartas no correio

Gasto sola de sapato
Mas aqui custa barato
Cada sola de sapato
Custa um samba, um samba e meio

E o resto?

O resto não dá despesa
Viver não me custa nada
Viver só me custa a vida
A minha vida contada

atgaaacqr0yswbenijlurjyq50csz-p6m3theut_kh51igv1v9vrclwh064tbcy0o7p1wzvhd3jm5gxmy1p2w2boypcoajtu9vbz00hkais5puox96jiw2xkh-jyww2

Na foto, a minha sobrinha Mariana. No Réveillon, ela acabou no palco, cantando com a banda. Se eu disser que ela canta divinamente “Me and Bob MgGee”, de Joplin, vocês acreditam? E ainda dedica para mim. A virada de ano foi bacana e simples, com amigos e amores, em Villas do Atlântico. No dia 31, saí do trabalho para pegar uns frios na Perini e reecontrei Beto, que não via há quase duas décadas, a mesma cara de menino. Ele é primo de Guilherme, grande amigo, morto há alguns anos. Saudade. Na primeira sexta do ano, Lima, Gerana e eu fomos para a casa de Luís. Muito papo, risoto de fruto do mar e muitos risos, com sarau de música pop, de Bee Gees a Madonna, improvisado na varanda. O que menos importava era a afinação. E ficamos sem saber quem era, afinal, o cantor grego de que Luís tanto falava. Será que ele lembrou o nome? Trabalhei direto, na semana posterior ao Natal, mas até isso foi legal. Agora, corro para pôr em marcha um projeto prático com atraso. Vejamos se dará certo….