Clarice, “se eu fosse eu” não faz sentido.
É como se eu pudesse ser alguém.
Pois nem ser eu sei ser, quanto mais quem
houvesse além de si haver havido.
 
Melhor deixar aquém o ser contido
e se deixar além de todo além.
Há muito que essa vida não faz bem
a quem vive pensando ou comovido.
 
Melhor não ser Clarice nem ser eu,
Clarice, nem ser eu a te dizer
o que é melhor – a ti, que já morreu
 
em mim o que queria conhecer
o que sentia, o que queria meu
um jeito, no sem jeito de viver.

Poema inédito de Luís Antonio Cajazeira Ramos.

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