Jacaré e Saborosa

Corrigi o poema e a memória traiçoeira de menina. Saborosa e Jacaré eram marcas de cachaça mesmo, como Ari Coelho cantou desde o início. Maria Guimarães Sampaio me corrigiu (no romance dela, Rosália não diz que Saborosa e Jacaré eram cervejas, só cita as marcas). E Bernardo Guimarães confirmou, recordando até o aroma da Saborosa: “igual a paçoca com coco”. E foi além. Ainda lembrou mais marcas perdidas no tempo: Tatu, Pau nas Coxas e De Cabeça pra Baixo. Leiam a descrição feita por ele do trio elétrico (esse eu via passar na Cidade Baixa): “era montado na forma de uma garrafa de cachaça, com a “orquestra” no meio e zilhões de altofalantes nas beiradas em cima. Uma beleza! Mais anos 70 impossível”. E Maria também descreve lindamente: “O trio elétrico da Jacaré era um jacarezão verdão que abria e fechava a boca. O da Saborosa uma imensa garrafa branca deitada. Tudo com muita luz e a amplificação era daquelas bocas redondas encaixadinhas nos “desenhos-esculturas”. Havia umas varandas laterais onde ia a percussão, caixa, tarol… Não lembro se os sopros iam nessas varandinhas ou em cima com as cordas”.  Deu até saudade da Lavagem do Bonfim daqueles tempos. Não existia essa besteirada chic de Bonfim Light e todo mundo ia de caminhão e carroça para a Cidade Baixa. Os trios chegavam até o pé da colina e as barracas eram de madeira, com banquinhos pintados. Na nossa rua, caminho do cortejo, a festa começava de madrugada e não tinha hora para terminar.

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8 comentários Adicione o seu

  1. Celso disse:

    Não sou da época nem da região, mas as descrições que vocês todos fizeram foram de um colorido e cheiro tão intensos que quase me vi indo atrás dos trios. O poema ficou tão belo quanto, provando que cerveja ou cachaça, o que importa era o nome que ficou em sua memória. Mas sabe que até agora estou intrigado com o tal aroma descrito por Bernardo? Paçoca de banana com côco? Inimaginável.

  2. maria sampaio disse:

    Bacana, Kátia. Muito bacana! Beijos

  3. Marcus disse:

    Enquanto Maria, Bernardo e o pessoal do aló aprontavam todas na Praça Castro Alves eu ainda era um inocente quase adolescene em Castro Alves, quando “assisti” pela primeira vez o trio da Carlsberg, em forma de garrafa. Quando Morei pela primeira vez em Salvador, em 1969/70, a única lembrança que tenho do lcarnaval é de uma janela do largo 2 de julho, quando viu um bando de maluco passar num jipe cantando: Eu vou tirar sua calçola, ô,ô,ô /ô, ô, Aurora. Suspeito agora que os dois estavam nele.

  4. janaina amado disse:

    Olá, Kátia! Não pra falar dessas deliciosas cachaças – apesar de baiana, conheço melhor as mineiras -, mas pra dizer que seu blog está cada dia melhor, mesmo em (ou por causa do, vai lá saber?) regime de meias-férias. Te linquei no acreditandonotruque. Aliás, já queria ter lincado antes, é que sou ainda anarfanet, não passei pra primeira série. Ótimo Natal, excelente 2009!

  5. blag disse:

    Tenho um amigo que estacionou no tempo: pra ele, carnaval só aquele, trios, só aqueles, e músicas, só aqueles frevinhos de guitarra baiana. Essa conversa de vocês também me deixou nostálgico, embora, como Celso, não faça a mínima idéia desse cheiro de paçoca de banana com coco.

  6. Ari Coelho disse:

    E tinha um comercial de rádio que finalizava assim: “Jacaré taí… POSITIVO!” Lembram?
    Sempre foram pingas: Saborosa e Jacaré.
    Ah, e esse negócio de Bomfim Light que aguenta?…

  7. Sou do tempo em que O POVO se divertia nas ruas de Salvador “pulando” atrás dos trios elétricos, fato que atualmente não se vê muito em Salvador e que os empresários e a alta sociedade não querem ver mais o pobre com o rico juntos se divertindo e esqueçendo as distorções das clsses sociais. Hoje não existem trios Pipocas com atrações reais de frevos tocando sem CORDAS, so se vendo “muita gente sem graça nos camarotes”, cantores (?) gritando um monte de baboseiras e um público ávido somente a ouvir e ver besteiras, que saudade de outros carnavais…

  8. Thiago disse:

    Meu pai foi um dos integrantes do trio saborosa e até hj ele comenta!! Tenho uma foto bem guardada e com muito carinho por que é uma historia longa… Meu pai foi p/ o interior juntamente com o pessoal do trio e lá conheceu a minha mãe.

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