Fui buscar Anália hoje na rodoviária. Anália é uma das melhores amigas de minha mãe e a conheço desde sempre. Veio passar a semana conosco para fazer exames médicos. Anália tem quase 70 anos e nunca casou, não tem filhos, vive sozinha numa cidade pequena chamada Morro, pros lados de Maracás. Anália em nossa casa é muito bom. Minha mãe está feliz, e as duas levam horas em conversas sobre o passado, relembrando causos do interior. Fico só ouvindo. Anália trouxe uma dúzia de ovos de quintal e carne do sol. Almoçamos juntas a comida que preparei pela manhã. Ela lamentou já não poder beber cerveja e rimos ao recordar as festas lá em casa. Casa simples, mas sempre hospitaleira e festeira. Quando fiz teste para um curso de teatro, em 1989, escolhi interpretar Anália. Estudei seu modo de falar para compor a personagem e fui aprovada. Bons tempos. Meu professor naquela época, Paulo Cunha, dá aulas hoje para a minha sobrinha no Curso Livre da Ufba. Entre as duas, quase vinte anos. Acho que sei porque gosto tanto de Anália. É que a presença dela só traz boas lembranças. E gente assim queremos sempre perto.

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