Saramago

Saramago

Fui a uma oftalmologista hoje. Como a minha avó paterna e o meu avô materno tiveram glaucoma e ficaram cegos, o ideal é fazer exames anuais. Tenho sido meio relapsa. Mas, nos últimos meses, andava com os olhos ressecados, vermelhos e ardidos. Para completar, os óculos quebraram e não vivo sem eles. Foi um exercício de paciência ir ao lançamento do livro de Gláucia na Saraiva sem enxergar nada. Só consegui agendar a consulta com rapidez numa clínica que fica na rua em que morei na infância, na Cidade Baixa. Fui com minha mãe, que adora aquela região. Gosto da companhia e acaba sendo um passeio para ela. Bom, felizmente, está tudo ok. Fiquei surpresa ao saber que a miopia reduziu bastante e que sofro de uma conjuntivite alérgica (não contagiosa), que pode ser debelada com o uso de um simples colírio. Mas fiquei com os olhos amarelos o dia todo, distraída que sou, como se usasse uma espécie de sombra exótica. Efeito da dilatação das pupilas. O trabalho correu legal no resto do dia e, no fim da tarde, fui ver minha sobrinha de 11 anos, que estava meio doentinha. Comprei picolé para eles (são três) e aproveitei para conversar com minha irmã mais velha, que vejo pouco, sempre ocupada com a faculdade (concluiu Letras, cursa Direito). Ontem, fiquei com a mais nova até quase madrugada, num papo legal sobre dilemas amorosos e a vocação dramática da família. Também a vejo pouco, envolvida com peças de teatro (estuda Direção Teatral na Ufba) e as aulas (ensina na Escola de Dança, também na Ufba). Cercada pelas pessoas que amo, e com apoio das pessoas que admiro, vou erguendo as velas. Navegar é preciso, já diziam os portugueses. E o poeta.

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