Após três dias de enxaqueca, e quatro sem fumar, o prazer de uma manhã sem dor de cabeça. Estamos perto da minha estação favorita, o verão. Lembro algumas viagens que fiz nessa época. Férias. Uma delas passei em Arembepe, numa casa de dois quartos, alugada, perto do mar. A outra em Arraial da Ajuda, no pequeno hotel de um simpático argentino. Ah, teve também uma em Maceió. Um mês inteiro diante daquele azul único. Fomos para Recife, visitamos Olinda e ficamos dois dias em Porto de Galinhas. Vontade de voltar, de almoçar no Divina Gula… E tudo veio depois de um papo sobre Itacaré, que conheci num janeiro desses, mês do meu aniversário, lotada de turistas. Chegamos perto das 22 horas, buscando um quarto. Acabamos na Pedra Solitária, acreditem, a pior pousada do lugar. Mas tudo vira lembrança boa. Não há nada que eu ame mais do que pegar a estrada com Érica. O rádio do carro tocando uma música bacana, sempre atrasadas em relação ao que seria sensato, enfrentando longas distâncias, brigando por uma coisa ou outra, rindo em seguida. Na capital de Alagoas, pra variar, chegamos tarde da noite, faltou luz no hotel. Da janela, víamos a cidade iluminada e o mar. Em Morro de São Paulo, pegamos a lancha na ressaca, quase vira, fizemos fotos das nossas caras assustadas. E, no início do ano, fomos para a Chapada. Ficamos em Lençóis, e fomos a Iraquara e Boninal. Fiz 40 anos dentro do rio Pratinha, com peixinhos bicando a pele debaixo da água. Na estrada, vendo o Morro do Pai Inácio, pensei em como pude demorar tanto para conhecer aquela região. Escrever sobre essas viagens me fez pensar num dia bom, tranqüilo, de céu azul, e numa música boa, tocando alto, enquanto o carro avança. Dias melhores virão.

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