Fui criada vendo mamãe preparar caruru todo ano. Lembro dela cortando os quiabos em cruz, descascando os camarões e os amendoins, cozinhando quantidades inacreditáveis de galinha no dendê. E das panelas gigantescas no fogo, operando o milagre do vatapá. Os pratos montados depois pareciam obras de arte gastronômicas, oscilando entre o doce e o salgado, com a harmonia das cores dos três feijões combinada ao ocre do acarajé, ao amarelo do abará… Todo ano, em 4 de dezembro, meu pai cumpria promessa a Santa Bárbara. E havia uma imagem dela, bem bonita, clássica, emoldurada e iluminada, em nossa casa. A tradição ficou com minha irmã mais velha, Bárbara, que herdou também o quadro antigo. Recentemente, comprei um igualzinho e pendurei na sala. Juro que meu apartamento ficou bem mais confortável, com cara de infância.

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