Antes da tempestade,
fiz um chá, molhei as plantas,
 fui pra varanda olhar a luz do dia,
refletida no teto dos carros,
e vi mães apressando o passo
com seus filhos, avós e netos.

A chuva veio forte e lenta,
como se caminhasse, a água,
repartindo o dia em dois –
anoiteceu de repente
dentro da tarde.

Bebi meu chá
lentamente – o aroma
adocidado do mate pairando
sobre os móveis. A TV
silenciada por trovões.

Na parede amarela da sala, Santa Bárbara
dividia comigo as aflições.

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