A vida não tem deadline

Estou fazendo uma reportagem. Não é resenha e nem comentário de dez linhas. Uma matéria de verdade! Deliciosa e cansativa como deve ser. Aquele cansaço gostoso de ir atrás das fontes. Aquela sensação esfomeada de quem caça novidades. Muitas coisas boas. Minha emoção vai nessa roda gigante. Estresse, risos, surpresas, inseguranças, pequenos prazeres. Teste de fogo para uma capricorniana que há mais de cinco anos anda com sapatos impecáveis. Esta semana,  meti meu All Star vermelho na areia. Conversei com motoristas, cruzando a cidade. Descobri que um deles é budista. Que o outro só faz exames médicos pressionado pela filha. E que um outro faz faculdade, mas se acha velho para começar a carreira. Conversei também com intelectuais, artistas e pescadores. E tive nas mãos papéis raros, confissões íntimas, constrangedoras, de gente que idolatro. E fotos que mostram a alegria de pessoas hoje mortas. E edições raríssimas que encheram meus olhos. Como se fosse possível assim tocar o passado, reter a memória, estabelecer de algum modo um diálogo.

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6 comentários Adicione o seu

  1. Ives Röpke disse:

    Que delícia esse post, Kátia. Você fala de finitude como quem conta um causo. Eu fiquei pensando no assunto e, como num passe de mágica, acabei num texto de João Pereira Coutinho (Folha Online) igualmente bacana e intimamente ligado ao teu:

    “(…) a verdade é bem mais triste e, paradoxalmente, bem mais feliz. Tudo passa. A dor vai diluindo-se em tristezas menores, que ficam como o pó esquecido nos cantos da casa. E certo dia descobrimos que o tempo cobriu tudo com invisíveis mortalhas; e o passado é o porto de onde a nossa embarcação já se afastou há muito. Vemo-lo ao longe, por entre a neblina. Mas não há regresso.

    Desesperado leitor: se achas que a dor de hoje te autoriza a tudo, lembra-te que és nada e que a tua vida será nada. E festeja essa certeza com a alegria sincera dos náufragos resgatados.”
    Até nisso o tempo nos ilude, na sensação de tocar nele. BJ

  2. Marcus disse:

    Que bom, Madame, ver você ir à luta pra voltar a fazer o que sempre fez também muito bem. Fiquei curioso.
    Aguarde um pouquinho só, que sai logo. Também tô curiosa pra ver como ficará.

  3. maria sampaio disse:

    Kátia,
    adoro as trocas de modelito do blog. E já estou de rabo em pé para ver a reportagem. Avise assim que sair (de véspera). Beijos Maria
    Aviso, sim. Vamos ver se continuo prestando pra coisa.

  4. Deu para sentir o quanto é maravilhoso fazer o que se gosta. Que tudo saia exatamente como você almeja.
    Obrigada, Gerana. Tô morrendo de medo. Bj

  5. Me avisa, Kátia! Minha mãe adorou a entrevista com a Myriam Fraga, trouxe para mim.
    Bjs

  6. blag disse:

    Tô curioso com a matéria. Esse sentimento é bom mesmo!

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