Estou fazendo uma reportagem. Não é resenha e nem comentário de dez linhas. Uma matéria de verdade! Deliciosa e cansativa como deve ser. Aquele cansaço gostoso de ir atrás das fontes. Aquela sensação esfomeada de quem caça novidades. Muitas coisas boas. Minha emoção vai nessa roda gigante. Estresse, risos, surpresas, inseguranças, pequenos prazeres. Teste de fogo para uma capricorniana que há mais de cinco anos anda com sapatos impecáveis. Esta semana,  meti meu All Star vermelho na areia. Conversei com motoristas, cruzando a cidade. Descobri que um deles é budista. Que o outro só faz exames médicos pressionado pela filha. E que um outro faz faculdade, mas se acha velho para começar a carreira. Conversei também com intelectuais, artistas e pescadores. E tive nas mãos papéis raros, confissões íntimas, constrangedoras, de gente que idolatro. E fotos que mostram a alegria de pessoas hoje mortas. E edições raríssimas que encheram meus olhos. Como se fosse possível assim tocar o passado, reter a memória, estabelecer de algum modo um diálogo.

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