Zen

Escrever versos livres é fácil.
É só usar as mesmas palavras
do cotidiano. Jogue duas para o alto
e, quando caírem, abra as mãos
[aí estão, amigo, e são luxuosamente outras].

Ah, é quase como lavar pratos [lave uns pratos!]
e, lavando pratos, chegar a um outro lugar
iluminado, tão claramente que, ao enxugá-los, tem-se
a exata impressão de entender o mundo
inteiro, e tudo, completamente.

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4 comentários Adicione o seu

  1. É isso, disse tudo através de uma metáfora muito interessante.
    É que acham tão simples fazer versos livres que quis mostrar que é mesmo, mas que envolve uma profunda concentração.

  2. blag disse:

    Engraçado, não sei cozinhar e fico impaciente com a idéia, mas sinto algo assim quando lavo pratos. E acho que o processo de escrever poesia tem um pouco disso mesmo: palavras que se juntam ao acaso. Muito legal esse poema!
    Acho que é por aí, Nilson. Nos trabalhos mecânicos, como lavar um prato, acabamos na mais profunda meditação.

  3. Luís Antonio, o que sonha disse:

    Você aceitaria ser graxeira lá em casa? Tem muito prato pra lavar!
    Claro que sim. Alcançaria a iluminação total.

  4. aeronauta disse:

    Incrível como parece que a poesia sai fácil de seus dedos no computador e de sua alma!
    Não mais que você, querida. Seu blog é uma das coisas mais deliciosas da Blogosfera.

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