O poeta em mim

O poeta disse que há um Deus em mim.
E disse sem dizer – ou não dissesse.
Ah, poeta, eu sou o Deus de tua prece,
erva daninha axial de teu jardim.

Melhor: eu sou o totem do esconjuro
que dá sentido a teu mundéu de fé.
Ainda melhor: sou tudo o que não é
senão o escuro que disfarça o escuro.

Que Deus te disse! Tua própria voz
abre horizontes, mas os fecha em nós.
E o fado triste alegra-se em destino…

Eu creio, poeta, pois que Deus me disse,
olhando a hora como quem sorrisse:
tu és meu bálsamo do desatino.

Nova versão do poema de Luís Antonio Cajazeira Ramos

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