Queria falar sobre amor,
mas mantinha os olhos baixos,
no desassossego de ver aquela boca
sem beijo e comentar sobre a chuva
que insistia em cair no estio
e o caos no trânsito: “sempre lento”.

Da noite longa, estendido corpo
no chão da sala, tocar a mão
de leve, a palma, roçar os dedos.

Não diria nada (sabe-se lá o certo).
E, se perguntassem, responderia
que o acaso rege o destino,
e que é a gravidade, e não o amor,
que move os astros no universo.

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