(para Vanderlei Carvalho)

Não veria o inverno, aquele ano,
com os termômetros loucos,
marcando 17 graus na cidade quente.
Nem as ondas, no Flamengo,
espargindo sobre as rochas,
seu salitre. Em março,
sumiria na floresta de Bara,
como Ram, o novo Buda,
encarnação do lendário príncipe.
E, após a morte, em sono, em sonho,
reapareceria outra vez. Tão docemente,
como se, em suas entranhas, as raízes
de peepal iluminassem, em fogo santo,
as vestes. Só o verão, guardaria nos olhos,
levando aos horizontes de Lumbini.

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