Foi debaixo da máquina de costura
de minha mãe que eu aprendi a ler,
juntando uma letra na outra
numa revista em quadrinhos.

Quando o som da sílaba era enigma,
minha mãe freava o cerzir, em sua Singer antiga,
e vinha pra perto de mim, ensinar como o s pode soar como z
ou como faz o eleagá quando se junta com o a.

Depois, saindo de carro, com meu pai,
pela cidade, eu ia olhando os cartazes
e lendo os anúncios gigantes e as placas
nas portas dos bares. E ele, admirado,
perguntava pra minha mãe:
– Como ela aprendeu tão rápido?

Quando comecei a ler de verdade
foi como se engatassem um trem veloz nos meus trilhos,
e ele corresse com vontade, descortinando paisagens,
levando-me ao meu destino.

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