Amor no hospício (Dylan Thomas)

Uma estranha chegou
a dividir comigo um quarto nessa casa que anda mal da cabeça,
uma jovem louca como os pássaros,

que trancava a porta da noite com seus braços, suas plumas.
Espigada no leito, em desordem,
ela tapeia com nuvens penetrantes a casa à prova dos céus,

até iludir com seus passos o quarto imerso em pesadelo,
livre como os mortos,
ou cavalga os oceanos imaginários do pavilhão dos homens.

Chegou possessa,
aquela que admite a ilusória luz através do muro saltitante,
possuída pelos céus.
Ela dorme no catre estreito e, no entanto, vagueia na poeira
e, no entanto, delira à vontade
sobre as tábuas do manicômio, aplainadas por minhas lágrimas deâmbulas.

E arrebatado pela luz de seus braços, enfim, meu Deus, enfim,
posso, de fato,
suportar a primeira visão que incendeia as estrelas.

(tradução: Ivan Junqueira)

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6 comentários Adicione o seu

  1. gustavo rios disse:

    kátia, me diz teu horário de trampo. preu deixar aí um livro meu pra vc. na portaria do jornal. se não tiver aí, deixa ordem com a portaria. que entrego em envelope e bla bla bla. semana que vem, faço isso.

  2. Faz pouco tempo que postei um pequeno ensaio no meu blog sobre DT. Simplesmente genial e continua genial na tradução do Ivan Junqueira.

  3. janina fleury disse:

    Não acreditei quando busquei algo sobre Dylan thomas e encontrei o seu blog!Já fiquei tão emocionada ao ver/ouvir janis joplin…Só posso dizer que hoje é uma tarde nublada, e este poema é lindo,novamente a verdade e a ternura.Já estive lá opnde ele viveu,na beira do mar, e vivi na cidade onde nasceu,Swansea,tmabém no mar de Wales,e ler suas cartas foi por algum tempo,minha diáspora.Te agradeço,Kátia,e desejo novamente melhoras.janina Fleury.
    Obrigada, Janina. Você tem blog? Ficaria bacana ter um. Eu freqüentaria direto. Pense nessa possibilidade. BJ

  4. janina fleury disse:

    Cara Kátia,obrigada por seus ccomentários.Já pensei em ter um blog,tnho especialmente um trabalho que me interessa divulgar,é um texto que fiz para uma consultoria,chama-se”Paixão e Luxúria-Transformações da sexualidade” que é bonito,pensei em fazer um livro,talvez faça,mas criei a partir deste trabalho ,cursos sobre estas transformações que a sexualidade vem sofrendo, e que no meu trabalho de consultoria apareceram como determinantes da exploração e do abuso sexual de jovens,Nestes cursos inseri filmes relacionados,e assim pensei em compartilhá-los através de um blog.Quem sabe,não sei bem como fazer um blog,se voc puder me orientar..Um abraço,janina fleury

  5. janina fleury disse:

    kátia,como adoro Dylan Thomas!Quando leio seus poemas,parece que vejo o País de Gales desfilar diaçnte de mim.Vivi lá,e tenho laçoes de amor com este povo galês,poeta,romântico,melódico.È a terra dos duendes e corais.Um povo sentimental,latino,como nós.Meio lúgubre,trabalhadores de minas de carvão.Sabe como Dylan Thomas apareceu na minha vida?Quando saí do Brasil em 82 para fazer o Doutorado lá,ainda havia um clima estranho por qui,com baionetas e tudo o mais.Eu havia sido demitida da PUC RIO em 81,junto com outros professores,e estava sofrendo perseguições por tentar transformar a política da infancia e adolescencia no Brasil.Chegano lá,tive medo. Então,como um disfarce,não pegava livros de política(minha área)na biblioteca.Pegava poesia e literatura.E assim,já apaixonada por Wales,e por Dylan Thomas,.li tudo o que havia ali sobre ele.Era verão,um verão luminoso em Gales, e eu tinha que escrever o porjeto do Doutoramento,e assim,sempre que sobrava um tempo,lia sua biografia,as cartas que escreveu.Depois,houve lá çuma inauguração de um café na Universidade,e uma expoasião de um pintor que pintou os poemas de Dylan.Que verão !Um dia,algum tempo depois,um ano,talvez ou 2, me mudei da casa que havia alugado para um prédio da Universidade,onde em cada andar havia uma nacionalidade,mais ou menos assim.Acordei um dia, e ao cruzar a portaria, me deparei com policiais naquele estilo britânico-fardas,baionetas,etc.Estavam procurando o representatne do Kadafi na Grã bretanha,e ele era disfarçado em estudante universitário.Não estava ali,depois o encontraram como um silngelo estudante de engenharia em outra universidade,estouraram seu “aparelho”,cheio de material bélico e pamfletos,etc.Naquele momento,muitas matérias sairam nos jornaçis sobre o serviço de inteligência ingles e o contrôle que faziam dos universitários,inclusivwe examinando o que liam ,através das fichas das bibliotecas.Creio que tive razão çem ler Dylan Thomas, que alèm de belo e pungente,me protegeu…Um abraço amigo,Janina Fleury

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