Uma estranha chegou
a dividir comigo um quarto nessa casa que anda mal da cabeça,
uma jovem louca como os pássaros,

que trancava a porta da noite com seus braços, suas plumas.
Espigada no leito, em desordem,
ela tapeia com nuvens penetrantes a casa à prova dos céus,

até iludir com seus passos o quarto imerso em pesadelo,
livre como os mortos,
ou cavalga os oceanos imaginários do pavilhão dos homens.

Chegou possessa,
aquela que admite a ilusória luz através do muro saltitante,
possuída pelos céus.
Ela dorme no catre estreito e, no entanto, vagueia na poeira
e, no entanto, delira à vontade
sobre as tábuas do manicômio, aplainadas por minhas lágrimas deâmbulas.

E arrebatado pela luz de seus braços, enfim, meu Deus, enfim,
posso, de fato,
suportar a primeira visão que incendeia as estrelas.

(tradução: Ivan Junqueira)

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