Há um poema de Ana C que dorme em mim. Feito uma criança pequena numa festa de adultos. Juntaram duas cadeiras e há umas almofadas de estrelas coloridas. Ele dorme e sonha com aquilo que conhece em seus 5 ou 6 anos. As formigas no pátio do prédio. Uma bola que saltou o muro. Os balões que levaram o padre para o céu [isso ele viu no Jornal Nacional]. No fundo de mim, pais recolhem o menino. E ele sente o sacolejo do carro na pista. Pára num semáforo. Roda, roda. Nunca chega. Eu poderia morar no poema a vida inteira. Uma casa com jardim sem cercas. Meu cachorro correndo para me contar o que viu em seu passeio matinal. Não diz coisa. Mas como falam seus olhos de cão. Põe o queixo em meu colchão. Observa. Tenho a impressão de que me conhece. Se pudesse falar, diria umas verdades na minha cara. Há um poema de Ana Cristina Cesar que [sabe?] me deixa louca.

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