Para minha mãe

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

(Este poema de Manuel Bandeira resume bem o sentimento de minha mãe em relação ao São João, quando ela lembra de meus avós na fazenda e das grandes festas celebradas em sua infância).

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4 comentários Adicione o seu

  1. O nosso Bandeira diz tudo. Sempre. E como nós entendemos isto, não é?

  2. aeronauta disse:

    Também sinto exatamente isso no São João.

  3. Nos últimos tempos tenho achado as festas populares tão tristes… aqui em Cruz as espadas estão cada vez mais violentas, e termino ficando mais em casa bebendo todos os licores de minha mãe.

  4. blag disse:

    Beleza de Bandeira. Tb tenho pelo São João (pela data, não pelo santo) essa atitude devota. Tem uma incrível canção de Elomar sobre o tema. E uma penca de Luís Gonzaga, que pra mim é que é a própria divindade joanina! Bjs.

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