Pelos meus dias atentos

Ingressaste, e eu dormia.

Quem cuidou se em meu alento

Encontrasse uma alegria?

Julgue todo entendimento

Qual mais sentir se devia:

Se esta dor, se esta alegria.

 

Quanto mais longe de ti,

Eras tu, não era eu minha.

Foste a vida que eu não tinha,

Tive Amor e não me tive.

Assim, se minha alma vive,

E porque me defendia –

Doía, a minha alegria.

 

O tempo Amor não me deu,

No tempo em que desejei.

Tu ingressaste e eras meu,

Se não me viste, eu  olhei

O matiz do amor que é teu.

Agora, o que mais farei,

Se a fortuna me desvia

A só ter tua alegria?

 

Não sei se eu estive errada,

Pois minha alma não vivia

No mal da festa roubada,

Na dor de amar sem valia,

Sem ti, sem luz, sem meu fado,

pois tu não me foste dado.

Mas acho, no fim do dia,

Tua alma. Minha alegria.

Poema de Maria da Conceição Paranhos.

 

 

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