É colossal a espera por tudo
Pelo mar que o poente esconde e desenha
Pelos braços mansos do brancor da praia
Pelo perfume das alfazemas
Pelos prados e pelas violetas
Pela dama sonhada com suas mãos de lírios
E seus braços de jasmim
Perfumados pelo frio da noite escura

É imortal o tzar do tempo
Como um samurai escondido no invisível
Sobrevoando nossos cadáveres frágeis
Vocabulários escorrem de sua boca
Em forma de regatos e montanhas
Em nossas almas
Dói a dor de ser e estar
Em nossas almas
Nada cala nem acalenta
E depois de tudo
Nos acena um estranho nada por detrás das coisas

Enquanto isso sente os amanheceres
E o vento
E o ouro que o verão semeia na paisagem
E as palavras de março anunciando folhas verdes
Sente a água escura dos rios da floresta
Fluindo sobre a areia branca
Sente o que há de terno meu irmão

Porque é colossal a espera pelo homem.

“Segue um poema escrito no frio inverno de Illinois (-30 C)”, em e-mail enviado pelo poeta Narlan Matos Teixeira.

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