Quando Judite morreu,
eu ia pra algum lugar,
mas tudo perdeu a urgência.
Quando Judite morreu,
pensei em seu coração
– calmo como um passarinho –
ou em doença de pulmão,
essas coisas que, repentinas,
vêm do nada e matam a gente.
Nem imaginei a violência,
desmedida, desesperada,
de quem perde o tino na estrada
e desce pra matar alguém,
com um estilingue na alma,
e um estilete nas mãos
(como se caça passarinho
nos ninhos do coração).

Quando Judite morreu,
morri um pouco também.

Anúncios