Judite

Quando Judite morreu,
eu ia pra algum lugar,
mas tudo perdeu a urgência.
Quando Judite morreu,
pensei em seu coração
– calmo como um passarinho –
ou em doença de pulmão,
essas coisas que, repentinas,
vêm do nada e matam a gente.
Nem imaginei a violência,
desmedida, desesperada,
de quem perde o tino na estrada
e desce pra matar alguém,
com um estilingue na alma,
e um estilete nas mãos
(como se caça passarinho
nos ninhos do coração).

Quando Judite morreu,
morri um pouco também.

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6 comentários Adicione o seu

  1. katherine disse:

    [ que triste ]
    morte = reencontro

  2. Amei esse poema!!!!! Bjs

  3. aeronauta disse:

    Sua poesia sempre toca no mais visceral em nós. Lindo poema.

  4. Cada morte do outro é um pouco da nossa. Belo poema!

  5. Nilson disse:

    Legal. Vc fala de dor com leveza. Bíblica Judite!!!

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