Só a ignorância me acompanha

Nada sei de rimas ou de poesia, Martha/Maria.
Só a ignorância me acompanha,

e uma brisa de infinita sabedoria
é o que mantém suspensa no papel a frágil tinta

em águas turvas
– tenho visto tantas vezes afogar-se meu lirismo –

e aquela flor, triste/raríssima, cultivada com cuidado
no vaso onde jaz o que não sei de rimas.

Ah, o meu lirismo –
e toda poesia – voltarão singelamente ao nada

algum dia, este lugar sagrado no qual repousam
versos que respiram imperfeitamente.

Ah, sim, por mais que digam e por mais que tentem
me convencer de que esta rosa é cardo agreste.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Poxa: o teu lirismo é livre desde agora, nascido em águas limpas ou turvas, nascido da saudade de Janis ou da necessidade do novo. Teu lirismo é agora. Tão leve, tão certo, tão bom… pétalas de rosa em botão.

    * *
    “Há momentos em que a vacuidade de sentir viver atinge a espessura de uma coisa positiva” (Fernando Pessoa)
    * *

  2. aeronauta disse:

    Puxa, Kátia, que lirismo… sua poesia é algo grandioso; grande demais para um lugar (e um tempo) onde a poesia padece; onde os holofotes clareiam, na maioria das vezes, rasuras, rabiscos sem nenhuma qualidade poética. A sua poesia é, realmente, completamente livre e soberana. Abraços.

  3. martha disse:

    Kátia,
    recebi sua carta-resposta. Fizeste uma bela e lírica carta.
    Seguiremos pela grande rede, fazendo as conexões entre nossos passarinhos mortos. E entre os passarinhos vivos, é claro! Aqueles que voam.
    Um beijo grande,
    Martha/Maria

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