Foto: Adriana Lorete

Ao saber da morte de Zélia Gattai, fiquei triste e lembrei a última entrevista que fiz com ela para A TARDE. Já morando no Horto Florestal, a escritora me recebeu com simpatia no amplo apartamento e conversamos longamente. Zélia Fez questão de me mostrar os cômodos, como se eu fosse uma visita, e, com o talento de contadora de histórias que a tornou famosa, recordou algumas peripécias de Jorge, com especial destaque para a divertida amizade que o autor baiano manteve com Pablo Neruda. Saí de lá entristecida por ter presenciado, ainda que de modo breve, e sempre por força da profissão, três momentos diversos da vida daquele casal. No primeiro, ainda foca, entrevistei Jorge Amado para o jornalzinho da Coelba. No segundo, já profissional, ao entrevistar Zélia, na Rua Alagoinhas, para A TARDE, não consegui tirar os olhos de Jorge, deitado numa espreguiçadeira, quase cego e muito deprimido. E, finalmente, este último, no Horto, conversando com ela, já viúva, longe da casa do Rio Vermelho, mas cercada por lembranças materiais e imateriais. Espero sinceramente, embora saiba que muitos discordam, que o jardim, onde estarão agora as cinzas dos dois, seja considerado solo culturalmente sagrado na Bahia

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