Se a solidão adensa com seus frios
humores o silêncio de geleiras,
a esperança derrete como guizos
de festa o gelo em cores de aquarelas.

E se a esperança se contorce em risos,
como a graça incontida de donzelas,
a solidão imposta-se de brios,
como um asco escolástico de freiras.

Essas inseparáveis inimigas
giram em roda efêmera de intrigas…
E a gente atesta, no avançar das pernas,

que a solidão esperançosa, tanto
quanto a esperança solitária, entanto,
são nada, nada mais além de eternas.

Poema novíssimo de Luís Antonio Cajazeira Ramos

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