Acordei pensando em Vinicius de Moraes e nos poetas que li na infância. Chico Buarque, num documentário sobre o poetinha, disse que ele não se encaixaria no modo como vivemos hoje. Pose e mais pose. Basta passear pelos blogs e ler as referências ao novo filme de Woody Allen. Pose e mais pose. Como Nelson Rodrigues disse, em entrevista a Otto Lara Rezende, o melhor conselho a dar aos jovens é “envelheçam”. Escrevi um poema sobre envelhecimento chamado “Santiago” e enviei para a poeta gaúcha-carioca Helena Ortiz, que tive o prazer de conhecer em Salvador. Ela o publicou em seu jornal literário, o “Panorama da Palavra”. Helena é uma das poetas contemporâneas que mais admiro. O seu livro mais recente, “Sol sobre o dilúvio”, é simplesmente divino. E, como vem chegando o Dia das Mães, e vocês merecem conhecer a poeta, publico aqui um dos poemas dela de que mais gosto: “Dilúvio”. Observem que belo desenho lírico.

As águas cobrem as ruas,
arrastando tudo.

Do outro lado, junto ao muro,
minha mãe. Só os olhos
pedem que a recolha.

Tenho a força de mil cavalos,
e aquela flor
contra a corrente.

Tomo minha mãe nos braços,
ela se encolhe,
aqueço-a em meu colo,
e devolvo-lhe o leite.

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