Chiquita bacana

Quero um filho. Do batuque.
Um filho do balacobaco, do truque,
um pequeno Macunaíma, do rock,
pra sacudir a tranqüilidade da tribo.

Quero um filho. Do meu sangue.
Um filho do meu passado de baque,
um beque, que venha pronto pro ataque,
um bacuri com cocar, um dos Stones.

Pra me despertar com seus gritos de guerra,
e fincar os dois pés na minha taba, a paz, na minha Tebas.

Sim, quero um filho. Ser a Chiquita bacana.
Pôr um pequeno rei neste mundo de merda.
Um doce Sidarta cercado de mimos, um César.

Um filho. Que venha de dentro,
não necessariamente muito lindo, mas esperto,
conhecedor do horror do planeta, e do belo.

Um filho. Que venha da alma,
do coração, e de cada pequeno grão
de poeira do universo. Sim, eu quero.

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9 comentários Adicione o seu

  1. Luís Antonio, o que sonha disse:

    Há poetas que nascem prontos. Não é o seu caso. Quem conheceu sua poesia há mais tempo, viu de cara lirismo e inspiração em seus versos, aquilo que os antigos chamavam de engenho. Mas a cada dia sua técnica, ou arte, vai sendo aprimorada. Hoje, salta aos olhos o apuro formal de seus poemas mais recentes, o pleno domínio do ritmo e da composição. Você é, sem dúvida, o nome principal de sua geração na Bahia. Aliás, eu que tive o raro privilégio de conhecê-la poeta inédita, sempre achei isso. E sempre o disse a quem quisesse ouvir. (Resta ver se o que digo importa…)

  2. Ives Röpke disse:

    Belo poema, Kátia. Esqueça o recesso do blog, não nos abandone! Faça como eu e convalesça, pois ficar fora de órbita é só paliativo. Bjin.

    PS.: Desisti momentaneamente da edição do livro.

  3. gláucia lemos disse:

    Adorei, Kátia. Que filho mais filho pode ser tão filho quanto esse seu? Faça esse filho do jeito que ele vier, que vale a pena, isso eu garanto. Mas, à parte poesia, que esse seu filho das Arábias vai lhe dar um trabalho danado, isso vai mesmo.
    (vou mandar para você o meu livro que acabou de sair, foi finalista no concurso João de Barro -BH- 2006, mas não vou fazer lançamento porq a editora o produziu em formato de livro “para adoção em programa de literatura de 4ª e 5ª séries” A mim parece não ter idade alvo definida. VocÊ verá. Mandarei para o jornal. Abraço. Gláucia

  4. Franciel disse:

    Existencialista, com toda razão, só faz o que manda (e o que quer) o seu coração.

    P.S Kátia, não sei se por alguma conspiraçaõ do Universo (On Line), mas o fato é que meu último comentário aqui caiu no buraco negro.

  5. blag disse:

    Muito legal, Kátia, com esse ritmo e essa lírica e esse filho prodigioso! Ele virá. Virá que eu vi!!!

  6. Concordo com Luís: Kátia é o nome principal da poesia de sua geração. Querendo ou não, há essa coisa de geração, pois que temos que fazer a história da literatura. E também, como Luís, tive a honra de conhecer a poesia de Kátia ainda inédita e acompanhar seu crescimento. Estamos orgulhosos de você.

  7. zeh de obrah disse:

    balanço, ritmo, brasilidade, sinceridade… só tudo isso em uma obra prima de poema, mais um filho que nasce desse fecundo ventre. valeu, katia, muuuuuuito bom.

  8. sandro ornellas disse:

    [de boca aberta] UAU!!!!

  9. aeronauta disse:

    Eis um grande e perfeito momento na poesia! Parabéns, Kátia!

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