No Breezes Costa de Sauípe tudo é superdimensionado, especialmente a comida. Um pé direito gigantesco abriga famílias de várias nacionalidades. As crianças correm por entre as mesas, sujas de doce, seguidas por empregadas vestidas de branco. Os homens bebem além da conta e desmaiam nas camas king size. As mulheres desfilam cangas e roupas de banho e corpos de sereia e rostos com botox. Na área da piscina, dois bares disparam centenas de doses de uísque 12 anos e drinques sacudidos em coqueteleiras de inox. Uma baiana oferece acarajés e abarás. Garçons equilibram fatias de pizza, sanduíches e pratos diversos. E é tanta comida que perde-se a fome. Após a meia-noite, nada acabou-se. Sai a ceia e há sempre mesas cheias. Num bar interno, lobos solitários… Jogamos baralho no lobby até quase 3 e meia. Às duas horas da madrugada, um rapaz vem repor os lanches. “É para amanhã?”, perguntamos. Quanta ingenuidade. “É para agora mesmo”, ele responde. Há sanduíches, café, chá, sucos e chocolate. E olhe que o Breezes já viveu dias melhores. Nos corredores, um exército de camareiras reveza-se na limpeza dos quartos. Há copos por todo o lado. Gente que pede um drink e dá apenas um gole. “Muito doce”. “Meio amargo”. “Muito fraco”. “Muito forte”. Mocinhas adolescentes bebem frisante. Homens fortes aplacam a sede com Logan. A boate é dominada pelos argentinos que tomam a pista sem animação e dançam.  Toca uma música esquisita. Fugimos entediados. No piano-bar, uma moça canta para uma platéia de três casais. E os restaurantes temáticos já estão fechados. Passeamos pelo saguão sem portas. Chove. Um grupo enorme aguarda o ônibus que o levará ao aeroporto.  Mais cedo, fomos à Vila da Praia.  E foi como estar em um cenário de novelas. Sem dramas. O luxo de cada coisa a neutralizar o caos em tons pastéis. Olho o céu. Há estrelas por detrás das nuvens. Adivinho o domingo ensolarado na piscina enorme.

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