A verdade é uma só:
todo mundo traz o menino de Braunau am Inn
confinado em um bunker imaginário.
E todo sonho que temos,
seja entrar para a academia de artes,
ou possuir a espada de Longino,
é o marido de Eva Braun,
o arquiteto do caos,
que queima em nosso peito.
Pois ele também sonhou,
na abadia de Lambach,
servir a Deus e ser bom.
E todo sonho que temos,
seja planejar uma cidade
ou comandar um exército,
é o dono do cão Blondi,
o filho de Klara e Alois,
que ruge dentro de nós.
Pois ele também sonhou
certa tarde no Museu de Hofburg
ter a lâmina da vida nas mãos.
E todo sonho que temos,
seja eternizar-se na memória
ou liderar uma nação,
é o plagiador de Blavatsky,
o falsificador de Nietzsche,
o criador de Treblinka,
e de Auschwitz-Birkenau, que grita.

Vivo mexendo nesse poema e ainda não estou satisfeita. Hoje, peguei “Ascensão e Queda do Terceiro Reich”, de William L. Shirer, para ler. São dois volumes. O primeiro tem 880 páginas. O segundo, 768. Vou com calma, pois no caminho tem uma pedra (um TCC de 70 páginas para escrever) e minhas retinas estão cansadas.

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