O ciclo ainda está aberto, e nele eu danço
com a alma inteira e o corpo a descoberto,
esparramado na poeira do borralho. Inteira
danço.

Um dia estaremos todos à mesa,
como numa reunião de família ou num retrato,
e entranharemos nossos rostos nessa estranheza
de pertencimento.
Os que vieram primeiro já observam nossos passos,
e entre vivos e mortos há um só rastro
(por onde seguem todos,
queiram ou não queiram).
Nada peço ao Tempo, deixo que os ponteiros corram,
enquanto ergo um templo, carregando pedras,
plantando flores, cimentando tijolos,
erguendo em mim, em meu próprio corpo,
a cerca branca de uma existência.
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