janeiro 2008


Gente, repasso e-mail com convocação de Sandro Ornellas (achei o texto simpático, espero que ele não se incomode):

Dia 02/02 (Iemanjá no Rio Vermelho, sábado de carnaval no Campo
Grande, fantasia, cerveja e alegria) o programa “Leituras” da TV Senado
(canal 53, aberto em UHF – pega com bombril na antena e alguma
paciência) estará comentando meu livro “Trabalhos do Corpo”, junto com
o do broder de terras baianas José Inácio Vieira de Melo.
Os horários do programa (na Bahia) são: sábado (9h30 e 20 horas) e,
reprise, domingo (8 e 20 horas).

 Vamos nessa!

O ciclo ainda está aberto, e nele eu danço
com a alma inteira e o corpo a descoberto,
esparramado na poeira do borralho. Inteira
danço.

Um dia estaremos todos à mesa,
como numa reunião de família ou num retrato,
e entranharemos nossos rostos nessa estranheza
de pertencimento.
Os que vieram primeiro já observam nossos passos,
e entre vivos e mortos há um só rastro
(por onde seguem todos,
queiram ou não queiram).
Nada peço ao Tempo, deixo que os ponteiros corram,
enquanto ergo um templo, carregando pedras,
plantando flores, cimentando tijolos,
erguendo em mim, em meu próprio corpo,
a cerca branca de uma existência.

Para ser grande, sê inteiro:

Nada teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda brilha,

Porque alta vive.

Não me peça que lhe diga
uma palavra definitiva.
O silêncio que engulo,
ou substantivo murcho,
é apenas o que reparti
com o meu melhor amigo
quando nada mais havia
para beber no copo,
e a noite ardia, azia,
no colo da madrugada,
sem fome e sem poesia.

Fui convidada para as bodas de ouro dos pais de meu cunhado. No dia 16 de fevereiro. Uma frase de Rilke ilustra a capa do convite. Inspiração de Márcio, do Cova Rasa, que a cada dia escreve melhor. Os pais dele são duas pessoas muito queridas. Fiquei pensando no que representa viver meio século ao lado de alguém, criar filhos, ir ao nascimento de bisnetos. Vou devagar nessa viagem. No meu ritmo. Meu coração está repleto de expectativa. Rever os colegas, voltar ao trabalho, encarar de frente os desafios. Fico em atividade até fevereiro e dou uma parada forçada em março para cuidar da saúde. O ano, de fato, só começará em abril, quando já estiver de pé e bem. Espero. Aí é correr atrás do segundo objetivo de 2008.    

Andei pensando no comentário deixado por Ari Coelho sobre o post “Depressão em céu azul” e concluí que ele tem razão. Cazuza já havia dito coisa parecida em “Pro Dia Nascer Feliz”. Acho que era algo assim: “a depressão é pretensão de quem fica fazendo fita”.  Eu faço é fita, drama, manha. Meu problema é mimo. E é bom tomar um puxão de orelhas de vez em quando. Valeu, Ari. 

O melhor leitor de poesia não é o que julga ou compreende o poema, mas o que lhe amplia os sentidos, deixando que as palavras e as intenções do poeta, ainda que ocultas, vivam.

Mayrant Gallo

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